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Título
LEVANTAMENTO DOS MÉTODOS UTILIZADOS PARA ABATE DE PEIXES NO BRASIL
Aluno: Andrea Gomes Chalbaud Biscaia - PIBIC/UFPR-TN - Curso de Zootecnia (MT) - Orientador: Carla Forte Maiolino Molento - Departamento de Zootecnia - Área de conhecimento: 50405020 - Palavras-chave: abate humanitário; bem-estar animal; sofrimento - Coorientador: Janaina Hammerschmidt.
O abate é um ponto crítico de bem-estar animal na aquicultura. O objetivo deste trabalho foi realizar um levantamento sobre métodos utilizados para abate de peixes no Brasil. Para isso foi aplicado um questionário com 43 questões, divididas em cinco categorias: informações gerais, despesca, transporte, abate e considerações finais. Foram identificados 87 frigoríficos a partir de informações do Sistema de Inspeção Federal e sítios das empresas Foi possível efetivar contato somente com 18, uma vez que dois (2,3%) estavam desativados e 67 (77,0%) não responderam o contato inicial. Os responsáveis pelo frigorífico responderam o questionário por telefone ou e-mail. Dos 18, seis (06/18-33,3%) responderam a pesquisa, sendo que houve questões deixadas sem resposta. Os frigoríficos respondentes eram das regiões sul (05/06 - 83,3%) e sudeste (01/06 - 16,7%). Em 83,3% (05/06) dos casos, a despesca ocorre após a chegada do caminhão na granja e os peixes podem ficar expostos ao ar por até seis horas. Dos respondentes, 33,3% (02/06) transportam os peixes diretamente no gelo. Os peixes dos demais frigoríficos são transportados nas densidades de 20 (01/04 - 25%), 350 (01/04- 25%) e 500 kg/m³ (02/04- 50%), sendo que dois frigoríficos trocam a água durante o transporte e três usam sistema de oxigenação. Não há uso medicamentos ou sedativos, mas um dos frigoríficos adiciona sal na água. A taxa de mortalidade varia de 0,5 a 1%. O tempo de transporte é de até quatro horas. Dos seis respondentes, um (16,6%) afirmou abater os animais na propriedade, um (16,6%) transporta os peixes vivos no gelo, sendo que um dos frigoríficos faz imersão por um minuto e em seguida procede a sangria dos animais. Os outros frigoríficos realizam a imersão em gelo, variando de 5 min (02/04-50,0%), 30 min (01/04-25,0%) e 6 h (01/04-25,0%), e em seguida realizam corte de cabeça seguido de evisceração (01/05-20,0%), só evisceração (02/05- 40,0%); e sangria, descamação, lavagem, retirada da cabeça e evisceração (01/04-25,0%). Os frigoríficos que conhecem outros métodos de abate (02/06-33,3%) alegaram não ter interesse na adoção dos mesmos. No caso do uso do gelo para o abate, 60,0% (03/05) alegaram ver os peixes totalmente imóveis. Ao questionar se os peixes sentem dor, 50% (03/06) diz que sim. Os dados mostraram que os frigoríficos apresentaram vários problemas em relação ao bem-estar dos peixes, como o longo período de exposição ao ar durante a despesca, a alta densidade de transporte e métodos de abate e insensibilização que promovem sofrimento aos animais.