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Título
ANÁLISE POR MODELOS NULOS DOS PADRÕES DE COOCORRÊNCIA E ABUNDÂNCIA ENTRE ESPÉCIES DE MORCEGOS EM UMA REGIÃO DE MATA ATLÂNTICA

Aluno: Luiz Henrique Varzinczak - PIBIC/CNPq - Curso de Ciências Biológicas (M) - Orientador: Fernando de Camargo Passos - Departamento de Zoologia - Área de conhecimento: 20400004 - Palavras-chave: chiroptera; competição; mosaico lagamar - Coorientador: Itiberê Piaia Bernardi.

Nos últimos anos muitos estudos com morcegos foram conduzidos no Brasil, porém poucos visaram compreender padrões gerais da ecologia e organizações das comunidades neste grupo. Este trabalho objetivou testar por modelos nulos os padrões de coocorrência e abundância entre espécies de morcegos em uma região de Mata Atlântica e se interações competitivas podem atuar estruturando essas comunidades. Modelos nulos aleatorizam dados ecológicos e criam novas distribuições das espécies nas comunidades testando se esses padrões diferem do que seria esperado ao acaso e se tem sua base em interações biológicas como interações competitivas. Dados de 10 comunidades da região do Lagamar foram tabulados em matrizes binárias de presença-ausência. Duas métricas foram utilizadas para quantificar os padrões de coocorrência: C-score, que calcula o padrão de segregação entre as espécies, e V-Ratio, que calcula a covariância entre as espécies entre os locais. As análises foram divididas entre todas as espécies e posteriormente separadas para morcegos frugívoros e insetívoros. As análises foram realizadas com o software EcoSim através de 5000 randomizações. Para testar se interações competitivas poderiam atuar sob o tamanho populacional das diferentes espécies, dados de abundância foram tabulados e testados através de programa CoOccurrence pelas métricas CA e AA com 1000 randomizações. Devido ao viés de amostragem favorecer as capturas de morcegos frugívoros, para dados de abundância apenas dados de espécies desta guilda foram utilizados. Para dados de presença-ausência, apenas três resultados da métrica V-Ratio indicaram associação não aleatória entre as espécies. Para os dados de abundância, nenhum desvio do que seria esperado ao acaso foi observado para as duas métricas. Embora com resultados significativos para uma das métricas os resultados demonstram que interações competitivas não parecem ter papel crucial na estruturação destas comunidades. A grande diversificação observada nos morcegos pode permitir a coexistência entre espécies de morcegos devido à diminuição na sobreposição de nichos neste grupo. Fatores ambientais e filogenéticos foram apontados com potencial para influenciar a composição das comunidades de morcegos inclusive na Mata Atlântica, local do presente estudo. No caso das análises com dados de abundância, o viés do método de amostragem pode interferir na verificação dos verdadeiros padrões ecológicos das comunidades. Assim, dados de presença-ausência podem fornecer um panorama mais confiável acerca dos padrões de coocorrência entre espécies de morcegos.