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Título
ESTUDO DAS MODIFICAÇÕES ESTRUTURAIS CAUSAS PELO PRÉ-TRATAMENTO A VAPOR E POSTERIOR HIDRÓLISE ENZIMÁTICA DOS RESÍDUOS DO PROCESSAMENTO DO ALGODÃO
Aluno: Bruno Parmezan - PIBIC/CNPq-Balcão - Curso de Química (MT) - Orientador: Luiz Pereira Ramos - Departamento de Química - Área de conhecimento: 10601007 - Palavras-chave: pré-trattamento a vapor; algodão; hidrólise enzimática.
A biomassa residual pode ser uma solução ou um problema, dependendo de como se encara o seu acumulo ao longo de uma cadeia de produção. Dentro desse contexto, a indústria têxtil não é uma exceção. O processamento do algodão gera vários subprodutos eestes podem representar passivos ambientais ou matérias-primas alternativas para combustível de caldeiras ou para projetos de produção de biocombustíveis e de insumos químicos para a indústria. Dentre os biocombustíveis, merecem menção o etanol celulósico e o biogás, além de outras possibilidades de maior investimento de capital. Assim, a utilização dos resíduos do algodão em processos químicos e/ou biotecnológicos poderia levar à redução de sua carga poluente e à sua participação efetiva na cadeia de produção por agregar valor a produtos inicialmente inservíveis. No caso do etanol celulósico, a conversão destes materiais é dificultada pela interação existente entre os seus principais componentes e, por isso, há a necessidade de um método de pré-tratamento para alterar ou remover barreiras estruturais e tornar esses materiais mais suscetíveis à conversão em bioprodutos. Um bom pré-tratamento deve satisfazer os seguintes requisitos: melhorar a produção de açúcares ou produzir substratos que poderão ser facilmente convertidos a açúcares livres por hidrólise; evitar a degradação ou perda de carboidratos; evitar a formação de subprodutos que possam inibir as etapas subseqüentes de hidrólise enzimática e fermentação; e ser viável economicamente. Este trabalho foi focado na utilização de tratamentos em meio básico para afrouxar a estrutura associativa da celulose e permitir a sua hidrólise a açúcares livre empregando enzimas comerciais. Em geral, opré-tratamento alcalino foi muito superior ao pré-tratamento ácido realizado porauto-hidrólise, demonstrando que tais resíduos respondem mais favoravelmente aos meios alcalinos. Dentre os resíduos estudados, o pó de filtroteve melhor desempenho no pré-tratamento e na hidrólise enzimática em comparação com o piolho sujo, resultado que pode ser atribuído principalmente ao seu menor teor de lignina. Por outro lado, a condição alcalina influencia o grau de organização molecular da celulose, gerando expressivos graus de amorfogênese que aumentam sensivelmente a acessibilidade das enzimas ao seu substrato verdadeiro. Assim, apesar das dificuldades, nossos estudos demonstraram que é possível recuperar até 75% da celulose em açúcares livres, cuja fermentação a etanol celulósico pode ser feita com leveduras comerciais.