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Título
MULHERES QUILOMBOLAS: PENSANDO GÊNERO E DESLOCAMENTO PARA O MEIO URBANO
Aluno: Pietra Izabela Barbosa - PIBIC/Fundação Araucária - Curso de Psicologia (MT) - Orientador: Judit Gomes da Silva - Departamento de Psicologia - Área de conhecimento: 70305005 - Palavras-chave: gênero; mulheres quilombolas; meio urbano - Coorientador: Liliana de Mendonça Porto.
Desde a Constituição de 1988 já havia a garantia de direitos territoriais aos Quilombolas com o Art. 68 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias. A partir de 2003 o Governo se preocupou em regulamentar o procedimento para essa garantia de direitos em âmbito nacional. A temática Quilombola tornou-se alvo de maiores atenções no Paraná, a partir do inicio do século XXI, com a instalação do Grupo de Trabalho Intersecretarial Clóvis Moura em 2005. Os esforços desta pesquisa, ainda em fase inicial de elaboração, encaminham-se para dentro desta temática fazendo um recorte de gênero. Propõe-se trabalhar a mulher quilombola focando-se nos relatos de vida daquelas que se deslocaram de suas comunidades para o meio urbano e que mantêm vínculos com seu local de origem. Busca-se compreender os sentidos do deslocamento, explanando a heterogeneidade de suas causas. Pressupõem-se como possíveis causas o propósito da mulher ou jovem quilombola de auxiliar suas comunidades, através do deslocamento, podendo possuir um viés militante que consiste na defesa da causa quilombola. Ou devido a projetos pessoais de formação e trabalho, ambos potencialmente vinculados à dinâmica de reprodução do grupo que implicariam em necessidade de migração devido à pressão demográfica e recursos escassos. Pode-se apontar, portanto, que as motivações individuais e as dinâmicas coletivas podem se agregar, não sendo necessariamente conflituosas. Entendendo que o deslocamento não significa várias vezes uma ruptura com a comunidade ou com a identidade quilombola. Tal ênfase não desconsidera a possibilidade de abordar aspectos da vida das mulheres na própria comunidade e tentar uma aproximação com o discurso do feminismo intersecional. A pesquisa se insere no grupo de estudo "Direito, políticas públicas e Quilombolas: reflexões sobre uma articulação complexa" iniciado em abril de 2014, no qual a temática Quilombola é abordada reflexivamente através de leituras e debates de textos teóricos e outros instrumentos que possibilitam o dialogo com caráter interdisciplinar entre vários aspectos deste universo. A metodologia, além de revisão bibliográfica, consistirá em pesquisa de campo e entrevistas, que serão realizadas com mulheres quilombolas que estão vivendo no espaço urbano, com o propósito de compreender as suas perspectivas a respeito do recorte de gênero no âmbito quilombola, elucidando como foi essa imersão no meio citadino; do empoderamento das mulheres negras e de suas lutas cotidianas longe do contexto que lhes é familiar, empenhando-se em dar voz a elas.