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Título
E SE SEU PACIENTE FOSSE UMA TRAVESTI? UMA ANÁLISE DA VISÃO DOS FUTUROS PSICÓLOGOS SOBRE O GÊNERO DAS TRAVESTIS
Aluno: Constantine Giacomitti Andrich - PET - Curso de Psicologia (MT) - Orientador: Alessandra Sant'Anna Bianchi - Departamento de Psicologia - Área de conhecimento: 70700001 - Palavras-chave: travesti; gênero; transexual - Colaborador: Constantine Giacomitti Andrich, Fernanda Ban Greboggy.
A partir de um trabalho realizado para a disciplina de Pesquisa II do curso de Psicologia, o qual considera a trajetória histórica das travestis e o fato delas estarem à margem da sociedade, essa pesquisa busca analisar as concepções de gênero em relação às travestis. Assim, propomos conhecer a visão dos universitários de psicologia a respeito do gênero delas, com o intuito de colocar em questão uma visão binária e dicotômica de gênero, a qual acredita-se estar fortemente presente em nossa sociedade. Ao mesmo tempo, pretende-se examinar se os futuros profissionais da área da psicologia estão preparados para trabalhar com tal realidade durante a profissão. Foi aplicado um questionário a 170 estudantes de psicologia. Com a análise dos dados, foi verificado que apenas 45,8% dos estudantes utilizam o pronome de tratamento "elas" para referir-se às travestis. A respeito do gênero que os estudantes atribuem a travestis, 39,6% deles consideram-as do gênero feminino; 18,3% do masculino; 20,7% consideram ambos os gêneros; 7,1% atribuem outro gênero e 14,2% não sabem qual gênero atribuir. Apesar da grande maioria dos estudantes pesquisados (73,5%) não verem problemas em um indivíduo do sexo masculino agir de forma vista como feminina, há ainda aqueles que concordam parcialmente (7,1%) ou totalmente (4,1%) com esta afirmação. Dos estudantes entrevistados, 64,1% discordam totalmente com a afirmação de que só existem os gêneros masculino e feminino. Além disso, ao analisar os dados, verifica-se uma confusão a respeito da utilização dos conceitos de sexo e gênero. Com os resultados, parece evidente que as contradições de gênero não são abordadas nas instituições de ensino de forma eficaz, fazendo com que os diversos profissionais que futuramente poderão trabalhar com as travestis não saibam lidar com esses indivíduos de maneira adequada.