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Título
DESCRIÇÃO DOS ASPECTOS CLÍNICOS, LABORATORIAIS E EVOLUTIVOS DAS CRIANÇAS INFECTADAS PELO HIV NO PERÍODO PERINATAL
Aluno: Rafaela Nallon - IC-Voluntária - Curso de Medicina (MT) - Orientador: Cristina de Oliveira Rodrigues - Departamento de Pediatria - Área de conhecimento: 40101088 - Palavras-chave: hiv; transmissão; coinfecção - Colaborador: Ana Cristina Manchak, Bianca Kloss, Mariane Manchini.
A transmissão vertical (TV) é a principal forma de aquisição do vírus da imunodeficiência humana (HIV) em crianças, sendo responsável por cerca de 90% dos casos. Estima-se que 0,41% das gestantes brasileiras sejam infectadas pelo HIV, resultando em mais de 12.000 recém-nascidos (RN) expostos por ano. Levando-se em conta que a adoção de medidas preventivas adequadas pode reduzir a taxa de TV de números próximos a 25% para aproximadamente 1% a 2%, torna-se importante assegurar um pré-natal adequado, com identificação das gestantes soropositivas, utilização de terapia antirretroviral e assistência apropriada ao RN. O presente trabalho tem por objetivo descrever os aspectos clínicos, laboratoriais e evolutivos das crianças infectadas pelo HIV no período perinatal. Trata-se de um estudo observacional, transversal, descritivo, com coleta de dados retrospectiva, por meio de análise de prontuários de RN expostos à transmissão vertical do HIV e atendidos no Serviço de Infectologia Pediátrica do Hospital de Clínicas da UFPR entre os anos de 2007 e 2011. Foram incluídos RN filhos de mães HIV positivas, com situação definida frente à infecção pelo HIV (infectado ou não infectado) segundo os critérios propostos pelo Ministério da Saúde. Foram avaliados 276 prontuários no total, desses 49 (17,75%) pertenciam ao ano de 2007; 58 (21,01%) ao ano de 2008; 55 (19,92%) ao ano de 2009; 70 (25,36%) ao ano de 2010 e 44 (15,96%) ao ano de 2011. Houveram 09 RN infectados pelo HIV nesse período, o que corresponde a uma taxa de TV geral de 3,26%, variando de 1,43% (em 2010) a 6,9% (em 2008). Entre os RN infectados, 05 nasceram a termo e 04 foram prematuros; a média de peso ao nascimento foi de 2,635g (+ 763,83); todos os RN receberam terapia antirretroviral após o nascimento e nenhum recebeu aleitamento materno. Não foram observadas diferenças estatisticamente significativas ao comparar esses dados com aqueles dos RN não infectados. Entre os RN infectados pelo HIV houve 3 que foram expostos a outros agentes infecciosos, 2 deles foram expostos à hepatite B e 1 foi exposto à toxoplasmose, hepatite B e sífilis, sendo, nesse último RN, confirmada a coinfecção HIV, hepatite B e sífilis. Todos os RN infectados encontram-se, atualmente, em seguimento ambulatorial e em uso de terapia antirretroviral. Esses achados ressaltam a importância de um pré-natal adequado, com identificação e tratamento efetivo das gestantes infectadas pelo HIV, para que os RN infectados possam ser igualmente identificados e tratados.