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Título
AVALIAÇÃO DA HIPERTROFIA MIOCÁRDICA EM MODELO URÊMICO EXPERIMENTAL

Aluno: Franciele Robes - PIBIC-AF/FA - Curso de Farmácia (MT) - Orientador: Aline Borsato Hauser - Departamento de Patologia Médica - Área de conhecimento: 20702043 - Palavras-chave: doença renal crônica; ablação renal; miocardiopatia urêmica - Coorientador: Roberto Pecoits-Filho - Colaborador: Lucia Noronha , Caroline Gribner, Fernanda Robes.

Os rins estão envolvidos na homeostase corporal sendo responsáveis pela eliminação de substâncias tóxicas pelo organismo. Na Doença Renal Crônica (DRC) ocorre a queda progressiva do Ritmo de Filtração Glomerular levando ao acúmulo das toxinas urêmicas, que podem atuar como um multiplicador de risco para um posterior evento cardiovascular. A doença cardiovascular (DCV) está intimamente relacionada à morbidade e mortalidade, caracterizando a principal causa de morte em pacientes com DRC terminal, principalmente no que se refere ao desenvolvimento da hipertrofia do ventrículo esquerdo e da fibrose cardíaca, que normalmente levam a insuficiência cardíaca congestiva e arritmias. Avaliar a influência da uremia no desenvolvimento da hipertrofia miocárdica em um modelo experimental de DRC. Foram utilizados 62 ratos machos Wistar com peso médio de 260g. Os animais foram divididos em Grupo SHAM, submetido apenas à manipulação dos pedículos renais (n=17) e Grupo Urêmico submetido à ablação renal 5/6 (n=45). O Grupo Urêmico foi dividido em: Com Tratamento com Espironolactona 20 mg/kg (CKDC, n=16) e Sem Tratamento (CKDS, n=29).  A eutanásia foi realizada na quarta (4s) e oitava semana (8s) após a cirurgia, sendo o coração retirado e pesado. Foram preparados cortes histológicos do miocárdio que foram corados com Hematoxilina-Eosina para avaliar a hipertrofia (Image Pro-Plus 4.5). O peso do coração apresentou aumento no Grupo Urêmico quando comparado ao Grupo SHAM após 8s de seguimento (p=0,043). Em relação à hipertrofia miocárdica, o Grupo Urêmico apresentou maior diâmetro dos cardiomiócitos do que o Grupo SHAM (p<0,001), mas sem diferença entre os grupos 4s e 8s (p=0,767). O uso da espironolactona não mostrou diferença significativa entre os grupos CKDC e CKDS (p=0,03). O Grupo Urêmico apresentou uma elevação significativa da massa cardíaca e o desenvolvimento de hipertrofia miocárdica quando comparados ao Grupo SHAM. Estes dados vêm a corroborar com trabalhos anteriores do grupo que mostraram presença de fibrose com aumento linear até 8s e expressão de Fator de Necrose Tumoral (TNFa) com aumento no início (4s) e queda ao longo do tempo (8s). Este estudo não mostrou influência do tratamento com a espironolactona nos animais analisados, mas fornece evidências do remodelamento miocárdico induzido por uremia e que a inflamação precede fibrose e hipertrofia miocárdica em modelo urêmico experimental.