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Título
ANÁLISE DA MIGRAÇÃO VERTICAL DO MICROFITOBENTOS (MFB) EM UMA RESTINGA SUBTROPICAL, PONTAL DO PARANÁ, PARANÁ, BRASIL
Aluno: Mariana Martins de Andrade - PIBIC/CNPq - Curso de Oceanografia - Pontal do Paraná (MT) - Orientador: Paulo da Cunha Lana - Departamento de Oceanografia - Área de conhecimento: 10000003 - Palavras-chave: microfitobentos; migração vertical; restinga - Colaborador: Luiz Laureno Mafra Júnior.
Restingas são formações litorâneas constituídas pelo agrupamento de cordões litorâneos depositados paralelamente à linha de costa. A vegetação da restinga destaca-se por sua diversidade e pela presença de muitas espécies endêmicas, mas pouco se sabe a respeito de processos de produção primária da microbiota associada. O microfitobentos é um agrupamento de microalgas e cianobactérias associado aos centímetros superficiais do sedimento, que contribuem para a produtividade e estabilização dos sedimentos em que habitam. As restingas do litoral paranaense são locais propícios para o desenvolvimento do microfitobentos, cuja distribuição é primariamente condicionada pela radiação solar e pelo grau de desenvolvimento do lençol freático. Este trabalho avalia os processos de migração vertical (na escala de mm) do microfitobentos em situações distintas de um ciclo circadiano completo, repetidas a cada 6 horas, durante 24 horas, totalizando 4 eventos de coletas de dados. Foram tomadas amostras estratificadas de sedimento com 1,9 cm de diâmetro, espaçadas por 0,3 cm de espessura (0-0,3; 0,3-0,6; 0,6-0,9; 0,9-1,2 cm) para a determinação da biomassa (clorofila-a), abundância e biovolume dos componentes principais do microfitobentos. Três principais grupos de organismos foram encontrados e categorizados em (1) cianobactérias cocóides, (2) diatomáceas penadas de diversos gêneros, e (3) diatomáceas cêntricas. Em todos os estratos houve presença massiva do grande grupo de diatomáceas penadas. Exemplares de diatomáceas cêntricas apareceram esporadicamente nas amostras, estando ausente em alguns estratos e períodos. O grupo de cianobactérias cocóides, que atribuiu cor verde ao sedimento, se concentrou principalmente nas camadas superficiais em períodos luminosos de exposição de luz mediana. Isto é, houve inibição da ocorrência destes organismos na superfície do sedimento em períodos de exposição luminosa muito intensa, e visível concentração quando a luminosidade era escassa. É provável que o máximo de fotossíntese do agrupamento se dê com luminosidade moderada, sendo a migração vertical no sedimento uma estratégia utilizada para otimizar a absorção da luz e evitar situações de ressecamento.