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Título
FLUXO DE CO2 NA INTERFACE AR-MAR DO EIXO NORTE- SUL DO COMPLEXO ESTUARINO DE PARANAGUÁ
Aluno: Joana Carneiro Campos - PIBIC/CNPq - Curso de Oceanografia - Pontal do Paraná (MT) - Orientador: Eunice da Costa Machado - Departamento de Oceanografia - Área de conhecimento: 10803009 - Palavras-chave: co2; fluxos; metabolismo - Colaborador: Julia Leal.
As áreas costeiras constituem sistemas rasos complexos que apresentam processos biológicos intensos. São consideradas importantes sítios de deposição e regeneração do carbono orgânico terrestre e do carbonato de cálcio produzido in situ. Estes sistemas estabelecem um elo crucial entre terra, oceano e Atmosfera. A baixa profundidade permite relações estreitas entre estes três compartimentos, os quais se dissociam em oceano aberto. Os estuários apresentam grande importância na dinâmica do dióxido de carbono atmosférico, podendo atuar como fonte ou sumidouro deste gás, por intermédio de processos físicos e biológicos. Neste contexto, diversos autores acreditam que o ambiente costeiro é possivelmente heterotrófico, atuando como fonte de CO2 para a atmosfera. Com o intuito de observar o papel do eixo Norte-Sul no Complexo Estuarino de Paranaguá (CEP) como fonte ou sumidouro do CO2 atmosférico, investigou-se a distribuição de variáveis mestres ao longo do gradiente de salinidade. Para tal, realizou-se quatro campanhas de amostragem, contemplando o período seco e chuvoso da região, durante a maré de sizígia, mensurando-se a temperatura, pH, salinidade, alcalinidade e oxigênio dissolvido. O CO2 total foi determinado a partir de um modelo de interações iônicas, utilizando as variáveis mensuradas. As temperaturas variaram de 22 a 28,5°C, a salinidade exibiu um gradiente de 5 a 30, o pH variou de 7,07 a 8,09. A alcalinidade apresentou diferenças significativas entre a estação seca e chuvosa. As concentrações de CO2 foram supersaturadas na estação seca e subsaturadas na estação chuvosa. A saturação do Oxigênio Dissolvido revelou um comportamento inverso ao do CO2. Os resultados obtidos permitem inferir um metabolismo predominantemente heterotrófico ao longo de todo o Eixo Norte-Sul do CEP durante as estações mais frias, com inversão do sistema durante as estações mais quentes. Fluxos de CO2 na interface ar-mar do sistema foram calculados a partir da diferença entre os teores de subsuperfície e de equilíbrio atmosférico, usando um coeficiente de transferência dependente da velocidade do vento. Em uma base anual, o sistema atuou como uma fonte de CO2, com um fluxo líquido 1,7*101 mol C.m².ano-1, o qual se encontra na faixa reportada em outros sistemas estuarinos.