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Título
OS MOVIMENTOS DE MASSA NAS ENCOSTAS DA SERRA DO MAR EM MARÇO DE 2011 E SEUS EFEITOS SOBRE OS SEDIMENTOS DE FUNDO NA BAÍA DE ANTONINA
Aluno: Anne de Nonohay da Silva - IC-Voluntária - Curso de Oceanografia - Pontal do Paraná (MT) - Orientador: Marcelo Renato Lamour - Departamento de Oceanografia - Área de conhecimento: 10804021 - Palavras-chave: complexo estuarino de paranaguá; sedimentologia; granulometria.
A baía de Antonina, sub-bacia do Complexo Estuarino de Paranaguá (CEP; 27°S - 39°W), é importante tanto do ponto de vista econômico (portos) quanto ecológico. O clima temperado e úmido da região, favorece a ocorrência de movimentos de massa ao longo das encostas da Serra do Mar, criando um ambiente dinâmico em função do aporte sedimentar a partir das bacias de drenagem e dos regimes de maré que condicionam a hidrodinâmica local. Em março de 2011, o litoral do estado do Paraná vivenciou um quadro climático episódico, onde chuvas excessivas provocaram danos sócio-econômicos e ambientais sobre a face oeste da Serra do Mar. O resultado foi uma sequência de movimentos de massa com caráter complexo, onde blocos, matacões e seixos distribuíram-se ao longo das planícies de inundação dos municípios de Morretes e Antonina, enquanto as areias, siltes e argilas foram transportados até a cabeceira do CEP. Diante disto, o objetivo deste trabalho foi mensurar a influência deste aporte sedimentar anômalo sobre os sedimentos de fundo da baía de Antonina, correlacionando seus principais parâmetros sedimentológicos com os processos hidrodinâmicos do sistema estuarino. As análises foram desenvolvidas pela comparação das características granulométricas dos sedimentos de fundo (diâmetro médio, grau de seleção, assimetria e curtose) e teores de carbonatos e matéria orgânica antes (2011) e depois (2013) dos eventos. Os resultados obtidos revelaram mudanças na configuração dos sedimentos de fundo da baía, uma vez que 3 pontos apresentaram diferenças críticas entre os anos estudados, sendo eles zona Profunda (aumento do DM), setor Faisqueira (diminuição DM)e setor Nhundiaquara (remobilização dos sedimentos). Este quadro sugere a atuação de diferentes processos de aporte sedimentar na região, somados aos mecanismos físicos responsáveis pela circulação estuarina, e por sua vez, distribuição de sedimentos dentro baía de Antonina. Ademais, pode-se identificar melhora no grau de seleção em praticamente toda a baía (74%), e maiores concentrações de matéria orgânica detrítica e conchas carbonáticas em 2013, o que pode ser explicado em função do maior aporte de sedimentos terrígenos no estuário. Diante destes novos parâmetros pode-se classificar os sedimentos de fundo da baía de Antonina como pobremente selecionados, em contraste com 2011 (muito pobremente selecionados), com a presença de siltes e argilas em suas margens e regiões de baixa energia, e intensificação progressiva das areias nas zonas profundas e nas desembocaduras dos rios Nhundiaquara e Cachoeira.