0971

Título
LEVANTAMENTO DAS OFTALMOPATIAS ENCONTRADAS EM PEIXES ORNAMENTAIS OU DESTINADOS AO CONSUMO HUMANO

Aluno: Isabela Dall'Agnol Canto - Pesquisa voluntária - Curso de Medicina Veterinária - Curitiba (MT) - Orientador: Fabiano Montiani-Ferreira - Departamento de Medicina Veterinária - Área de conhecimento: 50503006 - Palavras-chave: patologia; oftalmologia; bulbo ocular - Colaborador: Christiane Montenegro Coimbra de Moura, Mariza Bortolini.

A oftalmologia de peixes ainda é uma área pouco estudada na medicina veterinária, havendo poucos relatos e descrições na literatura. Pensando nisto, o presente trabalho tem como objetivo o treinamento para a identificação das lesõesoculares em peixes e iniciar estudos mais específicos que possam ser utilizados na oftalmologia veterinária no futuro. Os peixes podem ser classificados como teleósteos ou cartilaginosos, os quais apresentam diferenças entre si na anatomia geral e ocular. Muitas oftalmopatias podem ser encontradas nesses animais por causas diversas, tais como traumas, malformações, presença de agentes infecciosos, parasitos, entre outros. A "luxação de lente" é utilizada neste trabalho entre aspas, pois pode ser uma luxação de lente verdadeira, com o rompimento dos ligamentos intraoculares, ou um achado post-morten da ação dos músculos protratores e retratores da lente, que são encontrados, respectivamente, em peixes elasmobrânquios e teleósteos. Até o momento foram analisados 57 peixes de espécies variadas, sendo 56 de consumo e um ornamental, provenientes de peixarias, mercados e lojas. Os olhos tiveram suas lesões macroscópicas descritas antes da enucleação e quando havia suspeita de lesões à câmaras e estruturas internas, eram fixados em formol 10% para posterior análise histológica. As lesões encontradas nos bulbos oculares foram descritas e agrupadas. Dentro de um total de 114 bulbos analisados, 96 continham lesões, das quais 20,8% apresentaram-se como hifema, 22,9% hifema linear periférico, 3,1% com opacificação de córnea, 24% como "luxação de lente", 2,1% hemorragia proveniente da coróide, 1% perfuração de córnea, 4,2% leucoma (lesão esbranquiçada na córnea), 3,1% sinéquia, 1% parasito intraocular, 7,3% com alterações na conformação macroscópica da íris e da córnea, 2,1% hemorragia intraocular e 1% hifema com coágulo na câmara anterior. Quando todas as formas de hifema são analisadas em conjunto obtém-se 44,7% de casos, representando quase metade das lesões encontradas. A maioria das lesões encontradas relacionam-se ao trauma ocular e extravasamento sanguíneo nas estruturas internas do globo ocular, estando estas provavelmente ligadas ao abate destes animais para o consumo.