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Título
ESTRUTURAS CAUSATIVAS DIRETAS E INDIRETAS E HISTÓRIA SEMÂNTICA DO PORTUGUÊS BRASILEIRO (PB)

Aluno: Thayse Letícia Ferreira - PIBIC/CNPq - Curso de Letras - Port/Alem/Ital/Grego ou Latim (M) - Orientador: Teresa Cristina Wachowicz - Departamento de Linguística, Letras Clássicas e Vernáculas - Área de conhecimento: 80100007 - Palavras-chave: causativização; semântica de eventos; mudança de transitividade.

O fenômeno da causação é tema amplamente estudado e abordado na agenda linguística e, de acordo com Ramchand (2006, p. 16), "tem se mostrado como um parâmetro relevante para as diferenças verbais". Assim, considerando a causação como basilar para os estudos linguísticos, principalmente para aqueles que tratam da semântica dos eventos, o objetivo deste trabalho é analisar a causativização. Esse fenômeno consiste, grosso modo, na mudança de transitividade de determinados verbos, isto é, verbos de base intransitiva tem o acréscimo de um argumento em sua estrutura, como em (1) Joana emagreceu e (2) O remédio emagreceu a Joana. A justificativa do presente estudo se dá à medida que a nova estrutura transitiva possui a noção de indiretividade na ação, isto é, o único argumento do verbo é forçado a desempenhar um papel no evento e, no Português Brasileiro, possuímos uma estrutura bastante produtiva para indicar causação indireta: as sentenças perifrásticas com o verbo fazer. Observa-se então que essas sentenças sintaticamente complexas podem ser substituídas, através da causativização, por sentenças mais lexicais (com um único verbo), sem ter seu significado alterado, o que acarreta mudança da valência de alguns verbos via a introdução de um desencadeador agentivo ao evento. Deste modo, a fim de dar conta dessa mudança de transitividade no PB, o presente estudo se insere dentre aqueles que tratam da semântica dos eventos e, metodologicamente, analisa outros estudos elaborados sobre o fenômeno (HARLEY, 2006; PYLKKÄNEN, 1999) e compara dados do PB (coletados longitudinalmente) a dados do Finlandês e do Inglês, uma vez que há uma variação bastante grande em relação à estrutura dessas línguas. Por exemplo, o Finlandês licencia sentenças como (3) João riu Maria, no sentido de (4) João fez a Maria rir, enquanto o PB e o Inglês não. Isso nos leva a indagações fundamentais: Por que determinados verbos causativizam e outros não? É possível estabelecer uma tipologia para as línguas em relação à causativização (PYLKKÄNEN, 2002)? Dado que a causativização não altera o significado das sentenças perifrásticas, como as condições de verdade dessas sentenças devem ser especificadas (RAMCHAND, 2008)? Qual seria um bom modelo de teoria de eventos para dar conta da causativização (DAVIDSON, 2001; ROTHSTEIN, 2004)? Procuraremos responder a essas questões a partir da hipótese de que o processo de causativização funciona de maneira distinta entre as classes dos inacusativos e dos inergativos, possuindo relação com a tipologia desses verbos.