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Título
ANÁLISE DE "AMPHITRYON" DE HEINRICH VON KLEIST COMO RECEPÇÃO DA OBRA "ANFITRIÃO" DE PLAUTO
Aluno: Marina Sundfeld Pereira - PIBIC/CNPq - Curso de Letras - Port/Alem/Ital/Grego ou Latim (M) - Orientador: Rodrigo Tadeu Gonçalves - Departamento de Linguística, Letras Clássicas e Vernáculas - Área de conhecimento: 80000002 - Palavras-chave: heinrich von kleist; anfitrião; recepção de literatura latina.
Este trabalho está contido em um projeto de pesquisa que visa estudar as mais diversas reescritas da comédia latina, Amphitruo (Anfitrião) de Plauto, escrita por volta de 188 a. C., que foram emergindo a partir da Idade Média e que surgem ainda nos dias de hoje, dentre as quais estão as de Vital de Blois, Luís de Camões, Jean de Rotrou, Molière, John Dryden, Antônio José da Silva, Jean Giraudoux e Guilherme Figueiredo como algumas bem conhecidas. Essa peça trata do mito da concepção e do nascimento de Héracles, filho de uma relação extraconjugal de Zeus (ou Júpiter) com a mortal Alcmena, esposa do general tebano Anfitrião. Entendemos que todos esses textos formam um encadeamento, ou um palimpsesto, seguindo a metáfora de Geràrd Genette e, ainda, compõem rico material de estudo de recepção da obra latina. Neste trabalho analisamos sob essa ótica a peça Amphitryon - Ein Lustspiel nach Molière, escrita por volta de 1806 pelo alemão Heinrich von Kleist. Como nos aponta o subtítulo - "uma comédia segundo Molière" - Kleist não partiu diretamente da obra latina para compor seu trabalho, por isso também observamos o relacionamento de sua obra com a antecessora, Amphitryon escrita pelo francês Molière em 1668. É importante frisar, neste ponto, que a obra de Kleist diverge muito da de Molière e, apesar do subtítulo, a peça alemã não tem características que fariam dela exclusivamente uma "tradução" da obra francesa, na acepção mais comum do termo. Por isso incluímos como material teórico desta pesquisa, além da recepção dos clássicos, concepções mais amplas dos termos "tradução" e "tradutor", como a idéia de tradutor "performativo", apresentada por Douglas Robinson (2003), em que o tradutor, ao realizar seu trabalho, também realiza um ato, assim como um falante realiza um "ato de fala" ao proferir uma sentença, de acordo com a teoria apresentada em 1962 por J. L. Austin. Buscamos assim distanciar nossa análise da busca pela "fidelidade" de uma tradução, procurando apreender do texto mais as características intrínsecas ao autor/tradutor/reescritor do que elencar quais foram seus pontos fracos dentro de um viés prescritivo. Com isso, vemos como Kleist imprimiu sua própria marca (ainda dentro da metáfora do palimpsesto, em que a reescrita não funciona por si só, mas se lê com e contra o(s) hipotexto(s)) na história de Anfitrião e como isso contribui para os estudos de recepção dos clássicos e para os estudos da tradução.