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Título
O ESTATUTO ASPECTUAL DAS CÓPULAS SER E ESTAR
Aluno: Marília Costa Pessanha Lara - IC-Voluntária - Curso de Letras - Inglês ou Português com Inglês (M) - Orientador: Maria José Gnatta Dalcuche Foltran - Departamento de Linguística, Letras Clássicas e Vernáculas - Área de conhecimento: 80100007 - Palavras-chave: cópulas; preposições; aspecto.
O objetivo deste trabalho é investigar as relações entre as cópulas do português, ser e estar, e os complementos preposicionais nucleados pela preposição de. A hipótese para a distribuição copular adotada neste trabalho é uma generalização a partir de Zagona (2010) e Schmitt (2005), entre outros autores, que contemplam a morfossintaxe e a composição aspectual dos eventos nos predicados em questão. Isto é, estar é a cópula marcada para ancoragem temporal-espacial (com ou sem delimitação aspectual) e ser é a cópula default, sem restrições quanto ao tipo de predicado. A análise destes autores encontra um limite em sentenças da forma cópula+PP, uma vez que não deveria haver agramaticalidade de sentenças com ser (e.g.: *eles são de bicicleta; *a criança é com piolho). Os casos com nucleados pela preposição de se mostraram especialmente problemáticos, apresentando compatibilidade difusa quanto a ser e estar (e.g.: O intercambista é/*está da Coréia; Em casa de ferreiro, o espeto é/*está de pau; Pedro *era/estava de palhaço no baile de carnaval). A tese de Avelar (2006) investiga justamente esta preposição em contextos de adjunção, demonstrando que de se distingue das demais preposições por apresentar características de itens semanticamente esvaziados. Hipotetizamos que, analogamente ao que ocorre na adjunção, as características de de em orações copulares seriam explicadas por este ser um item esvaziado. Metodologicamente, os dados foram levantados através de mecanismos de busca na Internet (alguns dados foram criados). Em seguida, foram aplicados os testes de Avelar (2006), que examinam se de se comporta como um item semanticamente neutro. Os testes são: topicalização do complemento do PP, substituição por outras preposições, identificação de um valor central veiculado consistentemente por de em ocorrências distintas. Além destes, testaram-se as possibilidades de substituição por adjetivo e as restrições que operam sobre estes PPs em posição atributiva. Nossas conclusões se encaminham na direção de que o problema da distribuição copular com complementos PPs passa por estes serem equivalerentes a locuções adjetivas. Entretando, isso ainda não configura uma generalização robusta.