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Título
O IMAGINÁRIO DE LÍNGUA NOS MOVIMENTOS FEMINISTAS
Aluno: Luisa Mouzinho Santos de Oliveira - PIBIC/CNPq - Curso de Letras - Português (N) - Orientador: Gesualda de Lourdes dos Santos Rasia - Departamento de Linguística, Letras Clássicas e Vernáculas - Área de conhecimento: 80100007 - Palavras-chave: análise do discurso; estudos de gênero; língua.
Esta pesquisa dá continuidade àquela desenvolvida no ano anterior intitulada 'A questão de gênero nos discursos feministas: as representações do neutro em textos de feministas antiautoritárias'. Assim como o anterior, este trabalho se volta para os questionamentos feministas em torno da linguagem, especialmente naquilo que diz respeito ao esforço de algumas feministas em modificar/criar uma língua que, em sua perspectiva, não reproduza valores cissexistas (referente a opressão de pessoas cisgênero, ou seja, pessoas não transgênero, sobre corpos transgêneros) e/ou sexistas (referente a opressão de homens cisgênero sobre outros corpos) de maneira que não reafirmem o binarismo de gênero (gênero aqui se refere a uma construção social de um imaginário de feminilidade/masculinidade). Se antes o foco era as marcações materiais presentes em discursos que não tinham como tema a linguagem, agora o intuito é debruçar-se sobre textos teóricos sobre o assunto, escritos preferencialmente por pessoas que defendem e utilizam uma 'forma alternativa' de língua, a fim de investigar suas proposições e, assim, refletir sobre o imaginário de língua com o qual essas teóricas trabalham. O objetivo desta pesquisa é a investigação do imaginário de língua acerca de gênero gramatical presente em textos feministas que teorizam acerca da linguagem. São analisados artigos científicos, textos teóricos, zines e textos que compõem blogs e que façam parte de uma esfera de discussão feminista, transfeminista e/ou de estudos de gênero. A investigação se dá a partir da observação das asserções acerca da língua, bem como das formas de resistência através do uso da língua proposta pelas autoras analisadas. O recorte teórico engloba os estudos de análise do discurso francesa com filiação em Michel Pêcheux bem como os estudos de gênero e women studies, com ênfase no artigo 'The Mark of Gender' de Monique Wittig e escritos que compõem o livro 'Gender Trouble' de Judith Butler.