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Título
LITERATURA E HISTÓRIA EM AMÉRICA, DE MONTEIRO LOBATO

Aluno: Camila de Souza - PIBIC/UFPR-TN - Curso de Letras - Português (N) - Orientador: Milena Ribeiro Martins - Departamento de Linguística, Letras Clássicas e Vernáculas - Área de conhecimento: 80206000 - Palavras-chave: monteiro lobato; américa; contexto.

Reconhecendo a centralidade das reflexões sobre problemas brasileiros na obra de Monteiro Lobato, nossa pesquisa procurou analisar a representação e a problematização de aspectos (culturais, econômicos e políticos) da sociedade brasileira no livro América (1932), escrito enquanto Monteiro Lobato morava nos Estados Unidos. Nessa obra, dois personagens - um inglês chamado Mr. Slang e o narrador, um brasileiro não nomeado - caminham pelas ruas de cidades americanas traçando um panorama daquela sociedade por meio de conversas bastante informais. Ao se verem diante de um país tão diferente do Brasil, os personagens evocam essas diferenças por meio de comparações. Tendo em vista que a comparação é o método consagrado pelo autor para a construção de imagens e opiniões sobre o Brasil, partimos da hipótese de que a experiência internacional e, sobretudo, o olhar estrangeiro são fundamentais para a representação e análise da sociedade brasileira nessa obra. Nossa pesquisa partiu, então, da análise de Mr. Slang e o Brasil (1927), obra que utiliza mecanismos narrativos semelhantes aos de América para analisar a sociedade brasileira e onde o personagem Mr. Slang aparece pela primeira vez. É através desse personagem que são postas em evidência críticas ao Brasil tanto em Mr. Slang e o Brasil quanto em América, fato que reforça nossa hipótese acerca do olhar estrangeiro como fundamental para a criação da imagem nacional predominante nos livros citados. Apesar de negativa, essa imagem crítica sobre o Brasil está intimamente ligada ao sentimento nacionalista de Monteiro Lobato, o qual anexa ao livro América uma carta ao ex-presidente Artur Bernardes (presidente da república entre 1922 e 1926) pedindo pelo voto secreto no Brasil. Esse fato foi também fundamental para a análise do contexto de produção de América e, mais do que isso, para entendermos que, como afirma Maingueneau (1995), "o contexto não é colocado fora da obra, numa espécie de invólucros sucessivos, mas que o texto é a própria gestão de seu contexto". Assim, ao apresentar a nação americana para o público leitor brasileiro, Monteiro Lobato convida seu leitor a refletir sobre questões nacionais e, além disso, a participar ativamente do contexto político em que estava inserido.