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Título
MALLARMÉ NA IMPRENSA PARANAENSE: O MODERNO NA IMPRENSA LITERÁRIA CURITIBANA
Aluno: Ana Karla Carvalho Canarinos - IC-Voluntária - Curso de Letras - Português (N) - Orientador: Sandra Mara Stroparo - Departamento de Linguística, Letras Clássicas e Vernáculas - Área de conhecimento: 80206000 - Palavras-chave: modernidade; simbolismo; poesia paranaense.
Este estudo apresenta uma análise da modernização da vida literária paranaense no fim do século XIX, tendo em vista a recepção do poeta francês considerado como um dos principais ícones da modernidade, Stéphane Mallarmé. Para tanto, foram feitas leituras da imprensa cultural da época: Breviário, Cenáculo, Pallium, Esphynge, Azul, A pena, O sapo, Stellario, Galáxia, Turris Eburnea e Victrix, bem como uma leitura extensiva dos principais representantes da poesia paranaense produzida nesse período: Dario Vellozo, Emiliano Perneta e Silveira Neto. O movimento simbolista fin de siècle francês, se inicia a partir da publicação de As flores do mal (1857), de Charles Baudelaire, considerado o autor que abre as portas para a modernidade na poesia. Stéphane Mallarmé, em seu poema Um lance de dados, irá levar essa modernidade às últimas consequências, influenciando fortemente os diversos movimentos de vanguarda que irão explodir no início do século XX. Considerando a tardia emancipação paranaense de São Paulo (1853), a restrita presença de público virtual, a precária industrialização, a ausência de um mercado de bens intelectuais e simbólicos e, principalmente, de uma tradição literária local, pretendemos depreender em que medida a crítica literária local e a poesia paranaense tinham conhecimento da moderna poesia de Stéphane Mallarmé. Buscando traduções, detalhes e comentários a respeito da obra do poeta francês junto à literatura paranaense, objetiva-se encontrar alguma relação mais sólida entre a produção local e a sua contemporânea europeia. Uma vez que o momento precede a Semana de Arte Moderna de São Paulo, pretendemos demonstrar a importância do Movimento Paranista no interior de uma tradição literária brasileira e a influência da produção europeia na formação e criação do artista local. Nesse sentido, qualquer índice ou presença de uma atualização dessa natureza, encontrado na poesia dos simbolistas paranaenses, já pode ser entendido como um avanço rumo às nossas próprias reformulações literárias e é justamente esses índices de modernidade que o presente trabalho se propõe a depreender.