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Título
ALFRED DÖBLIN: BRASIL CANAÃ, A UTOPIA DE UMA TERRA SEM MORTE

Aluno: João Vitor Gonçalves Candido - PIBIC/CNPq - Curso de Letras - Port/Alem/Ital/Grego ou Latim (M) - Orientador: Paulo Astor Soethe - Departamento de Letras Estrangeiras Modernas - Área de conhecimento: 80208002 - Palavras-chave: alfred döblin; territorialismo; o tigre azul.

Alfred Döblin nasceu em Stettin, atualmente na Polônia, em 1878 e se mudou junto com sua família aos 10 anos para Berlim. Era oriundo de uma família judia, mas que mantinha poucas ligações com a religião judaica. Até 1923, quando houve ataques contra judeus no Scheunenviertel (um bairro em Berlim), Döblin não mantinha relações com suas raízes judaicas, das quais havia se desligado desde 1912. Ele inclusive havia batizado os filhos na Igreja Luterana. Segundo Marion de Magalhães esse desligamento mostra uma "assimilação à cultura alemã" e era algo "frequente entre os judeus de sua geração", mas não significa uma conversão efetiva. Um momento de vital importância para o retorno do autor ao judaísmo foi uma viagem que fez à Polônia em 1924. Tal viagem influenciou seu pensamento em vários aspectos, inclusive no que se refere ao pensamento acerca da literatura. Müller-Salget destaca que foi durante essa viagem que Döblin tomou consciência de que os judeus constituíam um povo. Em 1933 ele tem de se exilar em Paris devido à situação política hostil aos judeus na Alemanha. A partir desse momento o engajamento dele nas questões judaicas aumenta e ele se filia ao Movimento Judeu Terra Livre (Jüdische Freiland Bewegung), que defendia um ideário que se convencionou chamar territorialista, ou seja, ambicionava conseguir um território para onde os judeus pudessem emigrar e viver em segurança. Nos primeiros anos do exílio Alfred Döblin trabalhou nas duas primeiras partes de sua trilogia Amazonas, que foram publicadas em 1937 e 1938. Nosso trabalho tem como objetivo verificar a relação entre o pensamento do autor acerca do territorialismo judeu e a segunda parte de sua trilogia, o romance Der blaue Tiger [O tigre azul]. Para tanto, fez-se a análise do romance, o exame de textos críticos sobre ele, de artigos que abordam o envolvimento do autor com o movimento territorialista e de artigos do próprio Alfred Döblin sobre a questão judaica. O ponto central para nossa pesquisa é evidenciar o entendimento acerca das dinâmicas de formação das reduções jesuíticas presentes no romance em diferentes momentos. A situação de exilados, de fugitivos, tanto dos padres quanto dos índios convertidos, que levou à formação das primeiras reduções, por exemplo, é associado pelo autor a Canaã, assim como a sociedade militarizada e hierarquizada composta por jesuítas e índios, em um segundo momento, é associada à arca de Noé.