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Título
ESTUDANDO UM EDIFÍCIO MEDIEVAL: DESCRIÇÃO DA SÉ DE LISBOA
Aluno: Willian Funke - PET - Curso de História (T) - Orientador: Marcella Lopes Guimarães - Departamento de História - Área de conhecimento: 70502005 - Palavras-chave: arquitetura medieval; românico; portugal.
Para estudar um edifício historiograficamente, ou história a partir de um edifício, é importante realizar uma minuciosa descrição de seus aspectos materiais, da estrutura aos elementos decorativos. É este exercício que busco fazer com a Sé de Lisboa, igreja do estilo Românico construída na sequência da conquisa da cidade aos muçulmanos que a dominavam até 1147. A catedral teve ao longo dos séculos diversas campanhas construtivas e de reformas, para adicionar espaços, alterar outros, recuperar estragos decorrentes de terremotos, atualizar o edifício frente ao gosto estético dos correspondentes períodos e “restaurar-lhe” as linhas originais sob a influência de ideias românticas e nacionalistas. A descrição que realizo parte do edifício ao qual se tem acesso hoje e é feita com base no próprio edifício (visitado diversas vezes entre setembro de 2013 e fevereiro de 2014 durante intercâmbio financiado pela UFPR), em fotografias e em estudos, buscando a parte românica da Sé. Foi consultada bibliografia produzida por historiadores e historiadores da arte, sobre o próprio edifício, o período e o estilo empregado na construção. A Sé tem a planta em cruz latina, com a capela-mór direcionada para o Oriente. É composta por três naves, a central com abóbada de berço em alvenaria e as laterais com abóbadas de aresta também em alvenaria. O corpo da igreja é constituído por seis tramos e sobre o primeiro avança o coro alto. Por sobre as naves laterais, mais baixas que a central, corre uma galeria (trifório) com abertura em arcaria, sendo quatro aberturas em cada tramo. Os arcos torais da abóbada da nave central se prolongam até os pilares polistilos. Estes, devido a sua espessura e proximidade, impedem a quem se encontra em uma das naves a visualização da totalidade das demais. A fachada é composta por duas torres reforçadas por contrafortes e com janelões que permitem a visualização dos sinos. As torres têm a planta quadrada e as paredes lisas. O corpo central da fachada é composto por uma rosácea e um portal românico formado por quatro arquivoltas que recaem sobre oito capitéis de decoração figurativa e vegetalista. O portal encontra-se protegido por um nártex que é a parte de baixo do coro que se lança sobre o primeiro tramo da nave central. A catedral de Lisboa não é uma das maiores igrejas românicas da Europa, ou a mais antiga de Portugal. Mas entendê-la é importante para compreender a obtenção e manutenção da autonomia portuguesa e os diversos niveis de negociação para que isso se desse.