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Título
AS REPRESENTAÇÕES DA CAVALARIA NO LIVRO PERCEVAL OU O CONTO DO GRAAL, DE CHRÉTIEN DE TROYES
Aluno: Victor Reis Chaves Alvim - PIBIC/CNPq - Curso de História (T) - Orientador: Marcella Lopes Guimarães - Departamento de História - Área de conhecimento: 70502005 - Palavras-chave: cavalaria; literatura; medievo.
O contexto do livro aqui abordado é o fim do século XII, século especialmente importante no que se refere à cavalaria e que experimentou também grandes mudanças na Europa. O norte da França foi a região onde viveu e escreveu Chrétien de Troyes, autor da obra inacabada Perceval ou O Conto do Graal: trata-se de Flandres. A presente pesquisa se propõe a analisar a cavalaria conforme ela nos é apresentada no romance à luz d’O Livro da Ordem de Cavalaria de Raimundo Lúlio (escrito no século XIII, ao qual lançamos mão para servir de fonte auxiliar) e também à luz da bibliografia selecionada, para entender e discutir sua representação literária. Entre os livros dos quais faço uso na bibliografia, figuram Mimesis, de Erich Auerbach; Idade Média, Idade dos Homens, de Georges Duby; A Cavalaria, de Jean Flori; e o livro homônimo de Dominique Barthélemy, além de comentários, prefácios e notas de tradutores para as obras de Chrétien de Troyes em português e francês modernos. Metodologicamente, aplico uma análise histórica baseada nas obras lidas, cotejando com a lógica discursiva da Idade Média central a respeito da cavalaria e de como ela deveria se portar e agir, sempre buscando problematizar a posição de onde se fala no texto, ou seja, de onde provém o enunciado e quais são as concordâncias e discordâncias do que é dito na narrativa em cotejo com a produção historiográfica utilizada. Valho-me também de conceitos da lingüística, como a polifonia argumentativa, a teoria da argumentação na língua e as distinções entre enunciador e locutor para melhor abordagem e problematização. O que posso observar até o presente momento é que os personagens principais da obra, Perceval e Gawain (ou Gauvain) são dois modelos de cavaleiros perfeitos, embora diferentes: enquanto Perceval progride rapidamente de um estado rude para a mais fina cavalaria, com ligações com questões religiosas; Gawain é apresentado de maneira mais sensual e guerreira, como um verdadeiro cavaleiro do norte, mais ligado aos divertimentos cavaleirescos profanos, como torneios, por exemplo, e a conquistas de damas e de feitos. Por sua vez, o senescal Kai (ou Keu) serve como contra exemplo do que deve ser um cavaleiro ideal; não só ele é motivo de riso, mas também de ódio.