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Título
ÁLVARO PELAYO E AS RELAÇÕES DE PODER NO PORTUGAL DA PRIMEIRA METADE DO SÉCULO XIV

Aluno: Helena Macedo Ribas - PIBIC/CNPq - Curso de História (T) - Orientador: Fátima Regina Fernandes - Departamento de História - Área de conhecimento: 70502005 - Palavras-chave: poder em portugal; alvaro pelayo; espelho de príncipes.

No contexto da península ibérica no século XIV, há uma série de transformações na conjuntura política dos reinos de Portugal e Castela, tratando-se da centralização do poder na figura do rei e do declínio do projeto de teocracia pontifícia, que tinha sido muito proeminente nos séculos anteriores. Através da obra que utilizamos como fonte para o trabalho, Speculum Regum (o espelho dos reis), redigida por Álvaro Pelayo, bispo de Silves (atual diocese de Faro, em Portugal), há uma defesa dos princípios da teocracia Pontifícia em face desta mudança institucional, que tinha causado grandes embates em Portugal e Castela (mas não apenas nestes reinos, cabe ressaltar) entre o poder régio e o poder papal. Ao mesmo tempo, a obra possui um teor educativo, dirigida aos monarcas da época (Afonso IV em Portugal e Afonso XI em Castela) e seguindo uma tradição que remonta a antiguidade, no qual há um zelo pelo comedimento, justiça, fortaleza e prudência, as quatro virtudes cardeais incorporadas a ortodoxia cristã, e que são retomadas por Pelayo como premissas de comportamento adequado para os reis. Além disso, o documento exalta a relação, podemos dizer hierárquica entre reino e papado, sendo que este último ocupa a posição mais elevada, mostrando que ainda é uma questão relevante para discussão, que ainda não tinha sido superada, ainda que as querelas tenham se dado muito tempo antes, como por exemplo guerra entre Portugal e Castela em meados do século XIV, no qual várias dioceses tiveram seus recursos apropriados pelo rei, inclusive a de Silves na qual atuava Pelayo, e essas apropriações ajudaram a financiar a guerra.Apesar disso, a questão da centralização do poder nas mãos do rei ainda era uma questão importante, já às portas da Modernidade, para pensadores como Pelayo, se tratava de uma grande transformação em seu contexto, que reaquece questões que haviam, em princípio, sido superadas.