0801

Título
HUMOR E CONTESTAÇÃO: O COTIDIANO DE CURITIBA NAS CHARGES DE ALCEU CHICHORRO (1925 - 1961)

Aluno: Flávio de Freitas Pannuti - Pesquisa voluntária - Curso de História - Bacharelado (N) - Orientador: Rodrigo Rodrigues Tavares - Departamento de História - Área de conhecimento: 70505039 - Palavras-chave: alceu chichorro; charge; curitiba.

O personagem Chico Fumaça fez parte do cotidiano de parte expressiva da população curitibana por quase quarenta anos. As tiras e charges diárias desenhadas pelo jornalista paranaense Alceu Chichorro com o personagem fazem parte do imaginário local e estão disponíveis, digitalizadas, no Laboratório de Informática (LAIN) do Departamento de História da Universidade Federal do Paraná. A partir da pesquisa desses desenhos de humor publicados no diário curitibano O Dia entre os anos de 1925 e 1961, foram localizadas todas as charges e tiras que tenham como tema central ou façam menção expressa ao boato. A partir desse material, foram selecionadas especificamente os desenhos que de alguma forma aludam à dimensão política do boato, e analisado o tratamento dado pelo autor à questão, inclusive no tocante à resposta do poder político constituído ao boato de cunho político, sem perder de vista as variações desses mesmos aspectos ao longo do tempo. O levantamento revelou a presença esporádica de desenhos abordando o boato político, inclusive os riscos de sua disseminação durante o Estado de Sítio, entre os anos de 1925 e 1931. Entretanto, o tema ganha grande destaque no período compreendido entre 1932 (ano de maior incidência) e 1937 (ano com a segunda maior incidência), anos que marcaram o movimento constitucionalista deflagrado em São Paulo e a decretação do Estado Novo, respectivamente, após o que, em virtude da censura que se abateu sobre a imprensa, caiu drasticamente o número de charges sobre o tema. Embora a legislação então vigente passe a criminalizar a propagação de boatos apenas em 1935, pode-se perceber por meio das charges a presença de uma efetiva repressão política aos acusados de espalhar boatos, já bem antes disso. A volta ao regime democrático, a partir de 1946, revela que, embora ainda apareçam esporadicamente desenhos que têm como tema o boato, especialmente em situações de tensão na política nacional, sua efetiva repressão deixa de frequentar os desenhos de Chichorro, até o final das publicações, em 1961.