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Título
NADA ME MOVE, MEU PRÍNCIPE, SENÃO A TUA VONTADE - UM ESTUDO SOBRE A CONCEPÇÃO DE PODER NA POESIA DE IBN AMMÂR DE SILVES
Aluno: Camila Flores Granella - PET - Curso de História (T) - Orientador: Marcella Lopes Guimarães - Departamento de História - Área de conhecimento: 70502005 - Palavras-chave: poesia medieval; andaluz; islã.
As sociedades formadas a partir da expansão islâmica iniciada no século VII ficaram conhecidas pelo intenso incentivo às artes, à ciência e à literatura, de maneira geral. Quando o príncipe 'Abd al-Rahman (731/113 aH [ano da Hégira] - 788/172) reminiscente do Califado Omíada, instalou um poder central - muito frágil inicialmente - em Córdoba trouxe consigo essa tradição à Al Andaluz - como ficou conhecida a Península Ibérica sob domínio islâmico. Durante o período taifa, no século XI, também podemos observar este estímulo cultural por parte dos diversos núcleos de poder. Um dos "beneficiários" foi Ibn Ammâr de Silves (1031/423 - 1086/ 479) que tornou-se poeta laudatório na corte de al-Mu'tamid (1040/ 432 - 1095/488) em Sevilha - também poeta. O objetivo da pesquisa realizada em 2013 foi problematizar introdutoriamente as concepções do poder do príncipe sevilhano, especialmente a partir da poesia A al-Mu'tamid (I) de Ibn Ammâr, em conjunto com o estudo já realizado do panorâma contextual de Al Andaluz e do mundo islâmico em geral à época. O principal caminho trilhado na pesquisa foi compreender a poesia de Ibn Ammâr em consonância com o imaginário da época, sendo que nela transmitem-se, não somente as representações do autor para com o príncipe, mas também as representações de uma coletividade de seu tempo. O principal resultado do projeto em 2013 foi a descoberta de que Al Mu'tamid é adorado em diversas poesias de Ibn Ammâr como portador de poderes supranaturais, cósmicos. Um governante com um poder menos ligado pequenez dos homens e mais conectado com uma superioridade mística. Sendo assim, Ibn Ammâr não expõe somente sua concepção do poder de Al Mu'tamid, mas também a visão do imaginário coletivo partilhante de seu universo mental que enxergava no poder de seus príncipes habilidades supranaturais, quase divinas. O projeto foi realizado em continuidade a pesquisa já elaborada no PET História em 2012.