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Título
HOMENS RÚSTICOS E HOMENS DE QUALIDADE: FAMÍLIA ESCRAVA EM SANTO ANTÔNIO DA LAPA,1769 - 1830
Aluno: Andressa Lopes de Oliveira - PIBIC/CNPq - Curso de História (T) - Orientador: Maria Luiza Andreazza - Departamento de História - Área de conhecimento: 70505012 - Palavras-chave: escravidão; família; santo antônio da lapa.
Santo Antônio da Lapa caracterizou-se como local de passagem e de invernagem de tropas cujo destino era Sorocaba. A abertura do Caminho do Viamão, iniciada em 1730, impulsionou a ocupação desta localidade que foi se transformando em um pequeno povoado, conquistando a qualidade de freguesia em 1769. A economia da nova freguesia era baseada na mão-de-obra escrava. A maioria dos proprietários lapeanos, assim como os de outras regiões do território paranaense, possuía entre 1 e 5 cativos. A historiografia referente à escravidão tem se voltado aos estudos da formação de relações sociais próprias aos cativos, especialmente, a formação de relações de parentesco e de sociabilidade. A família escrava, que foi considerada, por vezes, inexistente ou inviável, tem sido o foco de diversos estudos que comprovam sua existência e buscam desvendar suas nuances. Contudo, as relações familiares em cativeiro ainda foram pouco exploradas em regiões pequeno escravistas e com plantéis majoritariamente crioulos, como é o caso do Paraná setecentista. Visando contribuir com este tema, a proposta deste estudo é verificar a viabilidade de famílias cativas em meio a uma economia voltada à pecuária e à agricultura de subsistência. No desenvolvimento da pesquisa em curso estão sendo utilizados assentos de batismo, casamento e óbito da Freguesia de Santo Antônio da Lapa. As informações presentes nestes registros foram repassadas para fichas de reconstituição de famílias, seguindo a metodologia Henry-Fleury. Até o momento foi possível contabilizar 116 casamentos entre escravos, forros e administrados no período situado ente 1769 e 1830. Em 73,2% dos matrimônios ambos os cônjuges eram cativos. Entre cativos e forros o índice de núpcias contraídas foi de 18,1%, enquanto que a união entre forros somou 2,5% e cativos e administrados 6%. Dos 85 casamentos entre escravos, 91,1% se deu dentro do mesmo plantel, contra apenas 3,5% de indivíduos de plantéis diferentes. Foi percebida a presença de 4 cativos viúvos e 5 cativas viúvas casando pela segunda vez. No limite do que foi possível recuperar da descendência dos casais, pôde ser observado 44 casais progenitores de 1 a 5 filhos e 5 casamentos em que o número de filhos variou entre 5 e 10. Apesar da historiografia afirmar que a população escrava paranaense foi predominantemente crioula, o número de noivos africanos foi notável: 1 de Nação Benguela, 2 de Nação Mina, 3 de Nação Angola, 14 de Nação Guiné e 2 não especificados; totalizando 18,9% de uniões em que ao menos um dos noivos era africano.