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Título
PRAZERES ROMANOS EM POEMAS PRIÁPICOS

Aluno: Alexandre Cozer - PET - Curso de História (T) - Orientador: Renata Senna Garraffoni - Departamento de História - Área de conhecimento: 70502005 - Palavras-chave: deus priapo; mulheres; epigramas.

"Quem?" e "quando?" parecem ser perguntas frequentes na disciplina histórica; e no entanto, apesar de um certo consenso sobre a datação aproximada de entre meados do século I e do II d.C., a Priapeia, documento que estudamos nessa pesquisa, não tem autor nem data bem definidos. Corpus com 86 poemas, a Priapeia é, definitivamente, um livro de epigramas, o que já sugere que eles não apenas ficavam guardados em um livro como também que eram constantemente relidos e recolocados em um contexto de festa ou de culto. Todos eles estão também relacionados ao deus menor, Priapo, personagem caracterizado por um imenso falo e uma face burlesca, e protetor dos jardins e da futilidade dos negócios. E todos, por vezes agressivos, por outras doces, normalmente festivos e frequentemente sexuais, intentam provocar o riso no leitor. Essas características, no entanto, nem sempre foram analisadas como fazendo parte de uma prática cultural que as tornasse coerentes; e frequentemente a comicidade do registro fez excluir a religiosidade. Nossa metodologia, com base na historia do gênero epigramático, nas análises sobre a composição do corpus, no emprego de técnicas como a variatio, e compreendendo o riso tanto como o estabelecimento de regras para um grupo como também enquanto a possibilidade de formação de um grupo social específico, busca poder conjugar, na análise, tanto o caráter religioso, quanto cômico e sexual do corpus. E vendo na Priapeia a expressão de uma prática ritual e festiva, estabelecemos como objetivo geral analisar quais as possibilidades do culto a fertilidade e a felicidade, e das práticas sexuais, sobretudo femininas, que se desenvolvem perante o grande falo. Nossas primeiras conclusões, ainda parciais, são de que que esse tipo de análise permite não apenas uma abordagem coerente, como também a diversificação das práticas sexuais romanas que, em geral, são vistas a partir do âmbito legal ou do culto oficial romano. O ângulo do culto a um deus menor, como Priapo, e de poemas variados, nos permite atingir uma diversidade de práticas sexuais, como também de grupos. Prostitutas, Jovens, Idosas e Matronas confirmam presença no culto ao deus, assegurando diversos discursos sexuais ligados ao caráter dessas mulheres.