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Título
IMPÉRIOS AGROALIMENTARES E A AUTONOMIA DA AGRICULTURA CAMPONESA AGROECOLÓGICA: UM ESTUDO SOBRE O ACAMPAMENTO JOSÉ LUTZENBERGER (ANTONINA-PR)

Aluno: Vinicius Antonio Banzato Facco - PIBIC/UFPR-TN - Curso de Geografia (M) - Orientador: Jorge Ramón Montenegro Gómez - Departamento de Geografia - Área de conhecimento: 70601020 - Palavras-chave: agricultura camponesa; agroecologia; questão agrária.

Nas discussões acerca da conjuntura social contemporânea fala-se em diversas e simultâneas crises: agrária, alimentar, ambiental, climática, econômico-financeira, etc. - sendo possível entendê-las como expressões de uma crise sistêmica civilizatória. Diante destas afirmações, e tomando como objeto de análise o espaço rural, é possível delimitar três esferas de debates: a questão agrária, a crise alimentar e as disputas ambientais. Assim, surge a necessidade de debater distintas formas de produção, comercialização e consumo de alimentos, bem como os conflitos socioterritoriais decorrentes destas distintas matrizes. Ou seja, insere-se um novo elemento temático, a partir dos conflitos pela produção de alimentos e pelo uso dos recursos naturais, no presente estudo de Geografia Agrária. Estes, baseados no arcabouço teórico-metodológico da Questão Agrária, buscam compreender como se dá o avanço do capital na agricultura, da mesma forma que os conflitos decorrentes desta ofensiva. A partir desta articulação de ideias, constata-se que há uma lógica hegemônica econômico-financeira atuando globalmente no setor agrícola e alimentar contemporâneo: os impérios agroalimentares. No entanto, alternativas a esta forma de atuação reducionista e unidimensional são encontradas na agricultura camponesa agroecológica. Diante disso, a pesquisa objetiva compreender como se dá a prática social de resistência e autonomia camponesa - baseada na agroecologia - perante os impérios agroalimentares, a partir da análise de uma comunidade camponesa específica. Foi escolhido como foco de análise da agricultura camponesa agroecológica o acampamento José Lutzenberger, que está situado no litoral paranaense, no município de Antonina, e é organizado pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). Adotou-se a observação participante como ferramenta de apreensão da realidade camponesa do acampamento. Com isso, a pesquisa se enquadra nos parâmetros da pesquisa-ação/pesquisa participante. A partir da inserção na comunidade do acampamento José Lutzenberger em quatro ocasiões, destaca-se a importância do modelo agroecológico neste local, que garante a autossuficiência dos acampados. Ademais, ao se analisar a escala de comercialização dos alimentos, constata-se a escala local-regional, que é diferenciada da forma global de atuação dos impérios. A resistência da comunidade se dá com a negação das práticas agrícolas dos impérios, com o uso intensivo de insumos químicos. Com isso, a pesquisa pretende atualizar as análises das formas contemporâneas de atuação do capital no espaço agrário.