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Título
A COPA DE 2014 E A PRODUÇÃO DO ESPAÇO URBANO EM CURITIBA: POTENCIAL CONSTRUTIVO E INTERVENÇÕES EM ÁREAS DE OCUPAÇÃO DE BAIXA RENDA

Aluno: Ana Caroline de Oliveira Chimenez - PIBIC/CNPq - Curso de Geografia (M) - Orientador: Olga Lucia Castreghini de Freitas Firkowski - Departamento de Geografia - Área de conhecimento: 10000003 - Palavras-chave: megaevento; intervenções urbanas; requalificação espacial.

Esta pesquisa justifica-se pela necessidade de compreensão de parte das dinâmicas verificadas no espaço urbano de Curitiba decorrentes da produção do espaço da preparação para a Copa do Mundo de 2014, realizada em Junho. As análises priorizaram: as estratégias envolvendo as normas de potencial construtivo no entorno da Arena da Baixada, o Parque da Imigração Japonesa e a Vila Torres e sua relação com o projeto Comunidade em Cores, implantado a partir de uma parceria entre a Cohab e a empresa de tintas Coral. Os dois últimos casos de estudo não têm relação direta com o pacote de obras implantado para receber o megaevento, mas foram executados à luz da lógica do mesmo, em razão do financiamento indireto para tal, de sua apropriação simbólica e da localização estratégica deles - adjacentes a Avenida Comendador Franco, principal corredor de acesso entre o aeroporto e centro da cidade. O referencial teórico centrou-se na leitura de livros, notícias e produções acadêmicas. Por conseguinte, o estado da arte priorizou a compreensão de termos recorrentes no âmbito das políticas urbanas de ordem mercadológica. Assim, buscou-se a elucidação de conceitos como "revitalização", "requalificação" e suas relações com os objetos de estudo. Inclui-se a compreensão da legislação sobre o potencial construtivo no entorno da Arena da Baixada, bem como a reconstituição dos usos passados do local onde atualmente se encontra o Parque do Centenário da Imigração Japonesa, feito por meio da compilação de informações a respeito da remoção dos moradores. A observação participativa integrou a metodologia específica aplicada à Vila Torres. A partir da presente pesquisa, identificou-se que o poder público atrelado ao modelo mercadológico de gestão, propicia, a partir de seu poder regulador, a flexibilização de seus instrumentos urbanísticos para atender a demandas requeridas por instituições privadas. Soma-se a isso a utilização de discursos envolvendo "revitalização" de áreas que aparecem pouco atrativas a investimentos, atrelado à "pressa" para que tudo fique pronto a tempo de sediar o megaevento, possibilitando a flexibilização da legislação nos processos licitatórios e na liberação de recursos. Assim, destaca-se intervenções urbanas que apresentam-se muitas vezes como potencializadoras de uma visão fragmentada de cidade, contribuindo para a cristalização do processo de segregação socioespacial, na medida em que são priorizadas certas áreas em detrimento de outras, reinterando a visão parcial da cidade que se distingue da necessária visão da totalidade.