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Título
ANÁLISE DE ASSOCIAÇÃO DO GENE MASP2 DO SISTEMA COMPLEMENTO COM O PÊNFIGO FOLIÁCEO
Aluno: Tamyres Mingorance Carvalho - PIBIC/UFPR-TN - Curso de Biomedicina (MT) - Orientador: Angelica Beate Winter Boldt - Departamento de Genética - Área de conhecimento: 20205007 - Palavras-chave: sistema complemento; masp-2; pênfigo foliáceo - Colaborador: Maria Luiza Petzl-Erler, Marcia Holsbach Beltrame, Iara Jose de Taborda Messias Reason.
Pênfigo foliáceo (PF) ocorre de forma endêmica no Brasil e é uma desordem autoimune caracterizada pela perda da adesão intracelular das células epidermais, causada pela deposição de autoanticorpos em espaços intercelulares, capazes de ativar o sistema complemento. A via das lectinas do complemento é iniciada pelo reconhecimento de padrões de açúcares por MBL ou ficolinas, que se associam a MASP-1 e MASP-2. Polimorfismos do gene MASP2 estão associados a diferentes concentrações da proteína, assim como à suscetibilidade a doenças. Em estudo anterior do nosso grupo, observou-se uma tendência à associação positiva entre baixas concentrações de MASP-2 e o PF. Para avaliar uma possível associação entre estes polimorfismos e o PF, foram genotipados 90 pacientes, principalmente, do Hospital Adventista do Pênfigo em Campo Grande (MS). Estes foram pareados com 96 controles da mesma região e 166 indivíduos, doadores de sangue de Curitiba e arredores, previamente tipados pelo nosso grupo. Foram investigados os polimorfismos rs2273344 (g.7164A>G) e rs9430347 (g.7441G>A) nos introns 4 e 5, respectivamente, e seus haplótipos, por meio de PCR-sequência específica. A concentração sérica de MASP-2 foi previamente determinada por TRIFMA em 114 pacientes e 138 controles, e por ELISA em 76 controles. Houve homogeneidade entre as frequências haplotípicas dos grupos, porém a distribuição dos genótipos apresentou-se em equilíbrio de Hardy e Weinberg somente para os controles. De fato, houve uma associação positiva entre homozigotos GA/GA e a doença (7,8% nos pacientes vs. 1,5% nos controles, OR=5,83 [IC95%=1,58-21,45], p=0,008). Este genótipo está associado com as concentrações mais elevadas de MASP-2 nos controles (medianas de 572 ng/ml, comparado com 441 ng/ml em AG/GA e 314 ng/ml em AG/AG, Kruskal-Wallis p=0,005). As concentrações de MASP-2 foram inferiores nos pacientes, quando comparadas aos controles (240 ng/ml vs. 310 ng/ml, respectivamente, Mann-Whitney p=0,0002), o que pode refletir um consumo elevado da proteína na ativação do complemento. Os resultados levam-nos a sugerir que polimorfismos intrônicos do gene MASP2 podem estar modulando a concentração sérica da proteína e a susceptibilidade ao pênfigo foliáceo.