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Título
ANÁLISE DE ASSOCIAÇÃO DO GENE MBL2 DO SISTEMA COMPLEMENTO COM O PÊNFIGO FOLIÁCEO

Aluno: Dayane de Fátima Schmidt - IC-Voluntária - Curso de Biomedicina (MT) - Orientador: Angelica Beate Winter Boldt - Departamento de Genética - Área de conhecimento: 20205007 - Palavras-chave: lectina ligante de manose; pênfigo foliáceo; polimorfismo - Coorientador: Iara José de Messias Reason - Colaborador: Luana Caroline Oliveira.

O Pênfigo Foliáceo (PF) caracteriza-se pela presença de autoanticorpos que reconhecem antígenos do desmossomo, especialmente a desmogleína 1. Este reconhecimento leva à ativação do sistema complemento, causando a deposição de C3 em espaços intercelulares, rompimento da adesão entre células da epiderme e lesões bolhosas. Em dois trabalhos recentes do nosso grupo, observou-se deposição da lectina ligante de manose (MBL), que inicia a via das lectinas do complemento, em lesões de pênfigo vulgar. Além disso, houve uma tendência à susceptibilidade ao pênfigo foliáceo em indivíduos com níveis mais elevados de MBL, evidenciando o papel da via das lectinas do complemento no desenvolvimento da doença. A fim de verificar se há associação entre o polimorfismo gênico de MBL2 com a suscetibilidade ao pênfigo foliáceo, foram genotipados 57 controles, doadores do banco de sangue do Hospital de Clínicas de Curitiba e 20 pacientes, cujas amostras de sangue foram coletadas, principalmente, no Hospital Adventista do Pênfigo em Campo Grande (MS). Este número amostral ainda será aumentado para pelo menos 100 pacientes e 100 controles, com a continuação das genotipagens, no decorrer deste projeto. Foram investigados dois polimorfismos localizados entre os exon 0 e 1, conhecidos como H/L (g.273G>C - rs11003125) e P/Q (g.826C>T - rs7095891), através de amplificação por PCR sequência-específica. Em ambos os grupos investigados, a distribuição dos genótipos ocorreu em conformidade com o equilíbrio de Hardy e Weinberg. Identificou-se três haplótipos: HP, LP e LQ. Houve homogeneidade entre as distribuições preliminares destes haplótipos nos controles e pacientes, sendo as frequências, respectivamente: HP (30% e 22,5%), LP (49% e 47,5%), e LQ (21% e 30%). Também houve homogeneidade entre estes, com a distribuição observada na população euro-brasileira de Curitiba, em estudo anterior do nosso grupo. Para 14 dos pacientes já investigados, foi possível observar uma diferença significativa entre as concentrações de MBL previamente determinadas em estudo anterior, e os genótipos de MBL2. Especificamente, genótipos com o haplótipo HP apresentaram concentrações superiores a genótipos LP/LP e LP/LQ (medianas de 1726 ng/ml vs. 224,5 ng/ml, respectivamente, P=0,006). Esta diferença está de acordo com o esperado, pela literatura. O aumento da amostragem neste trabalho permitirá verificar se a tendência de associação anteriormente observada, entre altas concentrações de MBL e PF, de fato se deve aos genótipos de MBL2.