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Título
SONO E ATIVIDADES COGNITIVAS
Aluno: Lina Rigodanzo Marins - IC-Voluntária - Curso de Medicina (MT) - Orientador: Fernando Mazzilli Louzada - Departamento de Fisiologia - Área de conhecimento: 20702019 - Palavras-chave: sono; memória; desempenho - Colaborador: Felipe Beijamini.
O sono vem sendo associado à melhora no desempenho cognitivo, incluindo atividades que envolvem diferentes tipos de memórias. Esse trabalho avaliou o efeito de um episódio de sesta de 90 minutos em memórias não declarativas e declarativas treinadas em sequência. Para tanto, estudantes da UFPR de 18 a 21 anos, do sexo masculino, foram treinados em duas tarefas: primeiro na tarefa de digitação de sequências (para avaliação da memória não declarativa) e em seguida a tarefa de reconhecimento visual e espacial (TRVE) para avaliação de memórias declarativas. Após o treino, os sujeitos foram alocados em dois grupos: sesta (aqueles que tinham a oportunidade de dormir por 90 minutos) e vigília (nesse grupo os voluntários permaneciam acordados pelo mesmo tempo). Posteriormente ao intervalo de 90 minutos, com ou sem a sesta, os indivíduos realizavam as mesmas tarefas novamente, só que em ordem invertida. 20 sujeitos completaram o experimento, sendo 10 do grupo sesta e 10 do grupo vigília. O desempenho dos voluntários nas tarefas de digitação foi avaliado por meio das médias de acerto (FT) e velocidade (Vel) de sequências digitadas nas três melhores tentativas. Já para a TRVE, analisamos a média do número de acertos de classificação das imagens como novas ou velhas como parâmetro de desempenho (REC). Por meio de teste ANOVA, não verificamos diferenças entre os grupos para nenhum dos parâmetros (RECsesta MÉDIA±Erro padrão; REC vigília MÉDIA±Erro padrão; p>0,05,F=0,053, p=0,820). Ambos os grupos, , melhoraram sua velocidade de digitação (digitaram mais sequências em menos tempo, em média duas sequências a mais). Contudo, os voluntários mantiveram sua precisão (não houve diferença pré e pós-intervalo, FT sesta MÉDIA ± Erro padrão; FT vigília MÉDIA ± Erro padrão; p>0,05, F=2,784, p=0,112). Portanto, ao contrário do que ocorre quando as tarefas são aplicadas separadamente, não foi observado um efeito adicional do sono sobre o desempenho. Esta ausência de efeito poderia ser explicada pelo aumento do intervalo entre o aprendizado da tarefa e o teste ou pelo fenômeno de interferência de consolidação de memórias. Acreditamos que o resultado é relevante, na medida em que a situação experimental proposta é mais semelhante ao que ocorre no cotidiano, ao contrário de estudos anteriores que aplicam tarefas separadamente.