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Título
OSCILAÇÕES INTERDECADAIS NO INVERNO AUSTRAL E A FREQUÊNCIA DE EVENTOS EXTREMOS NA AMÉRICA DO SUL
Aluno: Caroline Batista Gama - PIBIC/CNPq-Balcão - Curso de Engenharia Ambiental (MT) - Orientador: Alice Marlene Grimm - Departamento de Física - Área de conhecimento: 10703004 - Palavras-chave: interdecadal; precipitação; eventos extremos.
O objetivo do estudo é caracterizar as oscilações interdecadais da precipitação sobre a América do Sul durante o inverno austral e avaliar seu impacto sobre a frequência de eventos extremos. Para isto, utilizaram-se dados de precipitação da Agência Nacional de Águas e de serviços meteorológicos de outros países, para o período 1950-2008. Calcularam-se médias de totais mensais de precipitação em quadrículas de 2,5° por 2,5° (latitude e longitude) e médias de totais diários em quadrículas de 1,0° por 1,0°. Para a determinação dos eventos extremos de precipitação, são calculadas médias móveis de três dias dos totais diários e aos dados de cada dia é ajustada uma distribuição gama. Valores superiores ou iguais ao percentil 90 são considerados extremos. O número de ocorrências destes eventos extremos em cada mês é contado, gerando séries de frequência de eventos extremos. Dados de temperatura da superfície do mar (TSM), provenientes do Hadley Center (UK), são interpolados para quadrículas de 5,0° por 5,0°, a fim de estudar sua relação com a variabilidade interdecadal da precipitação. Após filtrar as séries de totais mensais de precipitação, de frequência de eventos extremos e de TSM com um filtro gaussiano de nove pontos para reter apenas oscilações interdecadais com períodos acima de oito anos, tais séries foram submetidas à Análise de Componentes Principais (ACP). Geraram-se modos de variabilidade rotacionados para cada mês, estação do ano, para o ano e para todos os meses corridos, obtendo-se gráficos de factor scores e factor loadings, que mostram a distribuição temporal e espacial da variabilidade, respectivamente. Foram compostas as anomalias de parâmetros atmosféricos e oceânicos para as fases opostas de modos selecionados. Fases positivas são aquelas em que os factor scores são maiores que 0,7 do desvio padrão e fases negativas aquelas em que são menores que -0,7 do desvio padrão. Foram correlacionados os modos da ACP de precipitação com as séries de TSM e frequência de eventos extremos e modos de TSM com as séries de precipitação e frequência de eventos extremos, para verificação cruzada da relação entre diferentes variáveis. Regiões de componentes mais intensas dos principais modos de variabilidade interdecadal da precipitação de inverno foram identificadas e ajustaram-se distribuições gama à precipitação diária destas regiões durante fases positivas e negativas de tais modos, para analisar a influência da variabilidade interdecadal sobre a distribuição de chuva diária. Esta influência parece ser mais fraca no inverno que em outras estações.