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Título
INTUIÇÃO E SIGNIFICAÇÃO NAS INVESTIGAÇÕES LÓGICAS
Aluno: Marcos Sirineu Kondageski - PIBIC/CNPq - Curso de Filosofia (Bacharelado com Licenciatura Plena) (M) - Orientador: Luiz Damon Santos Moutinho - Departamento de Filosofia - Área de conhecimento: 70101000 - Palavras-chave: fenomenologia; intuição; significação.
A intuição é afirmada como o princípio metodológico já desde os primórdios da Fenomenologia: enquanto ciência que, do modo mais cartesiano, pretende chegar à intelecção plena dos conceitos e leis por ela descritos, a Fenomenologia só pode admitir evidências intuitivas que, pondo de lado todo e qualquer pressuposto, excluem de modo absoluto toda dúvida. É nesse "intuitivismo" que consiste, precisamente, o significado do lema fenomenológico "às coisas mesmas" ("zu den Sachen selbst"). Porém, a mera afirmação de tal centralidade da intuição diz muito pouco enquanto não esclarecermos e precisarmos o sentido (complexo) que a noção adquire na fenomenologia husserliana: a noção por si só é muito vaga e pode abrir espaço a compreensões que, atribuindo à intuição algum sentido distinto daquele visado por Husserl, podem perverter o sentido próprio ao "intuitivismo" husserliano. Uma destas possíveis má compreensões já foi referida por Husserl nos Prolegômenos à Lógica Pura (texto que serve de proêmio às Investigações Lógicas): trata-se de, ao modo psicologista, conceber a intuição da própria verdade (no contexto dos Prolegômenos: da verdade das leis lógicas), o trazer da verdade à presença na consciência, ou seja, a evidência, como "uma característica psíquica especifica e bem conhecida por todos a partir da sua experiência interior" (§49); nesse sentido o intuir seria um mero sentimento psicológico afixado a determinados juízos por algum motivo psíquico-subjetivo; enfim, algo como uma convicção. Uma segunda possibilidade de compreensão da intuição diz respeito a sua posição com relação ao pensamento: o intuir se oporia ao pensar, ou estaria fora dele, e, nessa medida, consistiria como que numa capacidade de acesso a conteúdos "não pensados", como um ato de consciência que estaria aquém (ou além) do próprio pensar: enfim, que entre o pensar e o intuir haveria não só uma distinção, como também alguma exterioridade essencial. A presente pesquisa tem o propósito de compreender a posição que Husserl assume, nas Investigações Lógicas, a respeito desta última problemática, concernente à relação entre o pensamento (enquanto ato de consciência que se refere ao objeto através de uma significação, um sentido) e a intuição: a partir disso, poderemos esclarecer como a concepção husserliana é inconciliável também com esse segundo sentido de intuição - intuição como oposta ao pensamento.