0635

Título
A CRITICA NIETZSCHIANA AO SUJEITO AO SUJEITO DE DESCARTES

Aluno: Isis Lemes de Godoi - PIBIC/Fundação Araucária - Curso de Filosofia (Bacharelado com Licenciatura Plena) (N) - Orientador: Marco Antonio Valentim - Departamento de Filosofia - Área de conhecimento: 70101000 - Palavras-chave: tragédia; dionisiaco; apolíneo.

No posfácio ao Nascimento da Tragédia, escrito dezesseis anos após a publicação da obra, Nietzsche anuncia que iremos encontrar uma obra de juventude misteriosa e obscura, porém que se aventurou pela primeira vez em tocar na tarefa de "ver a ciência com a óptica do artista, mas a arte, com a da vida." Procuraremos investigar de que maneira pôde o jovem Nietzsche, através de sua "metafísica de artista", empreender tal tarefa partindo de uma investigação acerca da arte grega, em que anuncia um ganho em favor da "ciência estética", para a justificação da vida somente enquanto fenômeno estético. A partir dessa análise busca-se compreender as diferenças entre a visão artística e a teórica de mundo, assim como a diferença entre os universos da arte, filosofia e ciência. Em "O Nascimento da Tragédia", Nietzsche parte de uma "certeza imediata" acerca da arte grega: a imagem mítica dos deuses Apolo e Dionísio em constante luta e reconciliação são fundamentais para a compreensão do que foi o desenvolver da arte grega, tão fortemente quanto a vida humana depende da dualidade dos sexos. Assim, bem como a procriação humana gera dois sexos opostos, este movimento dos deuses gregos gerará dois impulsos artísticos contrários: o apolíneo, identificado com o surgimento das artes plásticas, e o dionisíaco, com a arte não-figurada do músico. Quando há a conciliação das duas formas artísticas diferentes, os impulsos apolíneo e dionisíaco, é criada a tragédia, "o ponto mais importante do culto grego". A morte da tragédia que Nietzsche acusará se dará pela tentativa de resolução e explicação dessa contradição primordial retratada na tragédia e sem a qual esta perde seu valor e seu fundo dionisíaco, tendo como seu principal causador o filósofo Sócrates e o novo tipo de pensamento que se instaurará com ele.