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Título
SOBRE O SUJEITO ÉTICO EM AGAMBEN
Aluno: Emerson Marçal Gonçalves - PIBIC/CNPq - Curso de Filosofia (Bacharelado com Licenciatura Plena) (N) - Orientador: Marco Antônio Valentim - Departamento de Filosofia - Área de conhecimento: 70100004 - Palavras-chave: agamben; auschwitz; sujeito ético.
Em entrevista, considerando retrospectivamente o plano geral do projeto Homo Sacer, Agamben apresenta o terceiro volume da série (O que resta de Auschwitz) como contendo uma teoria do sujeito ético como testemunha. Pretende-se apresentar um possível sentido de leitura para tal teoria a partir da interpretação que Agamben faz de Aristóteles. Uma perspectiva recorrente assumida por Agamben é a de pensar o homem não como aquilo que resulta da articulação e conjunção de princípios opostos (ser vivo e lógos), mas sim como aquilo que resulta da desconexão entre eles. Com tal inversão, Agamben evita pressupor tais princípios como dados para ir além deles e entender o modo a partir do qual algo como um homem pôde se constituir como tal. Na história da filosofia ocidental, um dos momentos decisivos onde isso se dá é em Aristóteles. No De Anima, após uma breve exposição sobre as opiniões a respeito da alma fornecida por seus predecessores, Aristóteles retoma a empreitada de tentar definir o que é alma articulando a ao conceito de vida. Ao reformular a questão perguntando não pelo o que é vida, mas sim de que modo algo pode ser dito vivo, Aristóteles isola dentre os vários modos no qual o viver se diz um mais geral e dos outros separáveis, a vida nutritiva. Segundo Agamben, só porque algo como uma vida nutritiva foi isolada, Aristóteles pôde tanto no De Anima quanto na Ética a Nicômaco e na Política definir o homem como o vivente que tem lógos e derivar daí uma ética e política. "O que resta de Auschwitz" pode ser entendido desde esse ponto de vista. No campo, se se compreende que o que está em jogo não é tanto a decisão entre o humano e o não-humano, mas antes o perigo iminente da transformação de um no outro, o muçulmano parece coincidir de alguma maneira com o que fora excluído no gesto aristotélico. E a teoria do sujeito ético como testemunho, que encontra seu lugar na impossibilidade de articular ser vivo e linguagem, parece trazer a luz uma dimensão do homem da qual a cultura ocidental parece ter se esquecido.