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Título
REFLEXÕES ACERCA DO FUNCIONAMENTO DA ARTICULAÇÃO: ARTISTA-OBRA-INSTITUIÇÃO-PÚBLICO. ESTUDO EPISTEMOLÓGICO DA FUNÇÃO SOCIAL DA ARTE
Aluno: Eloiza Henequin - IC-Voluntária - Curso de Filosofia (Bacharelado com Licenciatura Plena) (N) - Orientador: Walter Romero Menon Júnior - Departamento de Filosofia - Área de conhecimento: 70100004 - Palavras-chave: filosofia contemporânea da arte; estética; teoria institucional da arte.
Um dos objetos de interesse da filosofia contemporânea da arte tem sido a busca por uma compreensão dos diversos elementos: sociais, linguísticos, epistemológicos, estéticos, entre outros, que envolvem a aplicação do termo "obra de arte". Para tanto, alguns filósofos contemporâneos têm apresentado teorias da arte de inspiração analítica com o objetivo de propor reflexões a respeito de como e quando entender em quais casos o termo "Arte" se aplica, ou ainda, se é possível determinar um padrão que defina tal aplicação. Esse estudo tenciona analisar a questão da relação Arte-Público como uma estrutura única formada pela experiência estética. A pesquisa foi subsidiada em duas grandes vertentes. Por um lado, encontram-se filósofos que utilizam a Teoria Institucional da Arte. Nessa vertente destaca-se o filósofo da arte norte-americano George Dickie. A Teoria Institucional da Arte indica que, para ser considerada obra de arte, o objeto - 'artefato' - é primeiramente um 'candidato à apreciação'. Esse status de candidato à apreciação é conferido pelo 'mundo da arte' - grupo de pessoas institucionalmente "autorizadas": artistas, curadores, críticos de arte, professores, filósofos, galeristas, entre outros. Do outro lado, utilizamos obras de teóricos que analisam a experiência estética com base no regime de autonomia, que propõe abordar o problema da relação entre artista, obra e público a partir da perspectiva da experiência estética ligada à sociedade, isto é, ao contexto sociopolítico. Nessa linha destacamos as obras dos filósofos e críticos de arte franceses Nicolas Bourriaud e Jacques Rancière. Ao interpretar a articulação artista-obra-espectador como um sistema, presume-se que este se encontra inserido em um contexto histórico social e, portanto, é intrinsecamente político. Nesse sentido, tanto a produção artística quanto a experiência do espectador devem ser pensadas como respostas à exigência política de emancipação. Se o olhar do público é, por um lado, fortemente influenciado pelo contexto sociopolíticocultural do "mundo da arte", por outro, a experiência estética da arte contemporânea só se efetiva quando o lugar do espectador é aquele da sua emancipação.