0619

Título
OS ANTIMALÁRICOS ARTESUNATO E MEFLOQUINA SÃO SEGUROS NA GESTAÇÃO?

Aluno: Fernanda Vergara - PIBIC/CNPq - Curso de Biomedicina (MT) - Orientador: Paulo Roberto Dalsenter - Departamento de Farmacologia - Área de conhecimento: 40303004 - Palavras-chave: gestação; antimaláricos; toxicologia reprodutiva - Coorientador: Caroline Gomes - Colaborador: Eduardo Sbrana Serur dos Santos, Victória Rosa Flores.

A malária é uma doença amplamente distribuída, e durante a gestação, as mulheres ficam mais suscetíveis a essa doença. Portanto, as mulheres grávidas são tratadas em todos os trimestres da gestação, mesmo tendo risco teratogênico dos medicamentos. Para avaliar a toxicidade destas drogas, um modelo de malária na gestação é uma ferramenta importante, visto que a doença pode influenciar na toxicocinética das mesmas. Assim, o objetivo deste trabalho foi utilizar um modelo experimental de malária na gestação em camundongos suíços para avaliar os possíveis efeitos embriotóxicos dos antimaláricos. Para isto, fêmeas de camundongos variedade Swiss Webster foram colocadas em contato com machos por 3 horas. A prenhez foi verificada pela presença de tampão vaginal e, quando presente, este foi considerado o dia gestacional 0 (GD 0). Três grupos de prenhas foram infectados com um inóculo de 106 eritrócitos infectados com Plasmodium berghei ANKA, via intraperitoneal, no dia gestacional 6, e tratados com artesunato nas doses de 7,5 mg/kg e 15 mg/kg, ou veículo, por gavagem no GD 10. Outros três grupos não infectados, receberam os mesmos tratamentos com artesunato ou veículo. A parasitemia sanguínea foi verificada a cada dois dias. As fêmeas foram eutanasiadas no GD 12, e em seguida, o útero, fígado, rins e baço foram removidos e pesados. Os embriões foram separados do útero e analisou-se a viabilidade embrionária pelo batimento cardíaco. Alguns embriões e placentas foram coletados aleatoriamente para histologia. Não houve diferença significativa no peso gestacional, viabilidade embrionária, peso relativo do fígado, peso relativo dos rins e peso relativo do útero entre os grupos. O peso relativo do baço apresentou aumento significativo nos grupos infectados quando comparados aos não infectados, demonstrando uma possível resposta imune à infecção. Nos grupos infectados tratados com 7,5 mg/kg e 15 mg/kg houve uma redução acentuada da parasitemia no 6º dia de infecção (GD 12), quando comparado ao grupo controle infectado, o que demonstra a eficácia da droga na gestação. A histopatologia dos embriões ainda está em andamento. Os possíveis efeitos embriotóxicos da interação do artesunato e mefloquina serão avaliados posteriormente. Assim, estudos complementares são necessários para avaliação da segurança destes fármacos na gestação, especialmente na presença da patologia. Apoio: CNPq e Fundação Araucária.