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Título
AVALIAÇÃO DE EFEITOS TERATOLÓGICOS DE ANTIMALÁRICOS EM MODELO DE MALÁRIA NA GESTAÇÃO
Aluno: Eduardo Sbrana Serur dos Santos - PIBIC/Fundação Araucária - Curso de Farmácia (MT) - Orientador: Paulo Roberto Dalsenter - Departamento de Farmacologia - Área de conhecimento: 21007004 - Palavras-chave: malária; gestação; toxicologia reprodutiva - Coorientador: Caroline Gomes - Colaborador: Fernanda Vergara, Renata Mercer Zaia, Leonardo de Athayde Pinto.
Durante a gestação, as mulheres têm maior susceptibilidade à malária, trazendo riscos tanto à saúde da mãe quanto do feto. Devido a estes riscos, as gestantes que contraem malária devem ser tratadas independentemente do potencial teratogênico dos medicamentos. Para avaliar a toxicidade destas drogas, é desejável um modelo de malária na gestação, tendo em vista que a fisiopatologia da doença pode influenciar na toxicocinética dos antimaláricos. Assim, o objetivo deste trabalho foi desenvolver um modelo experimental de malária na gestação em camundongos. Fêmeas de camundongos Swiss Webster foram colocadas em contato com machos por 3 horas, a prenhez foi verificada pela presença de tampão vaginal e, quando positivo, este foi considerado o dia gestacional 0 (GD 0). As prenhas foram infectadas com um inóculo de 106 eritrócitos infectados com Plasmodium berghei ANKA, via intraperitoneal, nos dias gestacionais 0, 6 ou 12. Um grupo de fêmeas prenhas não infectadas foi utilizado como controle. Acompanhou-se diariamente nas progenitoras a parasitemia sanguínea, massa corporal e sinais clínicos de toxicidade. As fêmeas que sobreviveram até o GD 18 foram eutanasiadas e, em seguida, o útero, fígado e baço foram removidos e pesados. Os fetos foram separados do útero e analisou-se a viabilidade fetal. Foi determinado o peso dos fetos, peso das placentas e o percentual de perdas pós-implantes. As progenitoras infectadas nos GD 0 e GD 6 sobreviventes apresentaram uma redução na massa corporal de aproximadamente 60% e 40%, respectivamente, em comparação com as fêmeas do grupo controle. A taxa de sobrevivência foi baixa e não foi encontrado nenhum feto vivo nas mesmas, ou seja, o percentual de perdas pós-implantes nestes grupos foi de 100%. Para as fêmeas infectadas no GD 12, houve um aumento no peso relativo do baço de mais de duas vezes e, além disto, os fetos provenientes destas fêmeas apresentaram uma redução de aproximadamente 10% no peso, em comparação com os fetos do grupo controle. Os resultados demonstraram alta mortalidade materna e fetal associada com a infecção pelo P. berghei no início da gestação, além da ocorrência de baixo peso nos fetos das progenitoras infectadas no GD 12. Estes dados demonstram que este modelo apresenta alguns dos efeitos adversos associados à malária na gestação, simulando a infecção em humanos na malária na gravidez causada por P. falciparum. Assim, este modelo pode ser útil para a realização de estudos farmacológicos e toxicológicos reprodutivos com antimaláricos, como a avaliação de teratogenicidade.
Apoio: CNPq e Fundação Araucária