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Título
CONCORDÂNCIA ENTRE PAIS E FILHOS SOBRE DISFUNÇÃO OROFACIAL INFANTIL
Aluno: Veridiana Stange Nichel - PIBIC/CNPq - Curso de Odontologia (MT) - Orientador: Fabian Calixto Fraiz - Departamento de Estomatologia - Área de conhecimento: 40204006 - Palavras-chave: crianças; saúde bucal; sistema estomatognático - Coorientador: Fernanda de Morais Ferreira - Colaborador: Bianca Lopes Cavalcante de Leão, Sara Regina Barancelli Todero.
Instrumentos para avaliar a disfunção orofacial em grupos populacionais infantis frequentemente incluem questionários aplicados às crianças ou aos pais. O objetivo desse trabalho foi verificar a confiabilidade dos relatos infantis sobre itens da disfunção orofacial. Os dados foram coletados a partir de um estudo observacional transversal com amostra representativa envolvendo 531 crianças de 8 a 10 anos de idade, de ambos os gêneros, regularmente matriculados nas escolas municipais da área urbana e rural de Campo Magro-Pr e seus pais. As informações sobre função orofacial foram obtidas através do Nordic Orofacial Test - Screening (NOT-S), instrumento com doze itens divididos em entrevista (seis perguntas) e exame clínico (seis avaliações clínicas). Na entrevista, as crianças foram questionadas sobre os seguintes domínios: função sensorial, respiração, hábitos, mastigação e deglutição, salivação e secura da boca. Itens dos domínios respiração e hábitos foram adaptados para os pais, que os responderam na forma de questionário. Para a verificação da concordância entre as respostas dos pares pais-crianças foi utilizado o Coeficiente de Kappa (Kp) e para a concordância dos valores finais do NOT-S foi utilizado o Coeficiente de Correlação Intraclasse. Considerando as respostas dos pais, o escore total do NOT-S variou de 0 a 8, com uma média de 2,07 (DP = 1,40) e para as crianças esse escore variou de 0 a 7, com média de 2,01 (DP = 1,34), o Coeficiente de Correlação Intraclasse entre os escores obtidos através das respostas dos pais e das crianças foi de 0,911 (IC95%: 0,894-0,925, p<0,001). Houve concordância moderada entre pais e crianças nos itens "ronco durante o sono" (Kp = 0,305, p <0,001) e "ter hábitos", como onicofagia, uso de chupeta e sucção digital (Kp = 0,348, p <0,001). O item "ranger os dentes durante o dia" não apresentou concordância (Kp = 0,062, p = 0,147). Embora o escore total do NOT-S tenha apresentado boa concordância, algumas informações obtidas por relato das crianças em relação à função orofacial não obtiveram um nível adequado de confiabilidade quando comparadas com as respostas dos pais. Conclui-se que a aplicação do NOT-S em crianças 8-10 anos de idade deve incluir perguntas aos responsáveis, como uma estratégia para reduzir viés de informação.