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Título
IMPACTO DA CONDIÇÃO PERIODONTAL NA QUALIDADE DE VIDA DE INDIVÍDUOS EM TRATAMENTO DA DEPENDÊNCIA DO CRACK
Aluno: Priscila Raquel Schiroky - PIBIC/CNPq - Curso de Odontologia (MT) - Orientador: Maria Ângela Naval Machado - Departamento de Estomatologia - Área de conhecimento: 40205002 - Palavras-chave: periodontite; qualidade de vida; cocaína crack - Coorientador: Marilia Compagnoni Martins - Colaborador: Denise Spinardi, Susan Jaccoud Ribeiro de Souza, Milena Binhame Albini.
O uso de drogas, como o crack, causa alterações comportamentais nos dependentes, como alteração do humor, perda da auto-estima e descuido com a saúde geral e bucal. O crack pode ser um fator de risco para o desenvolvimento e a progressão da periodontite refletindo na qualidade de vida desses dependentes. A qualidade de vida é avaliada pela percepção dos dependentes químicos acerca das suas disfunções, desconfortos e incapacidades. O objetivo do estudo foi avaliar a condição periodontal e determinar o impacto da periodontite na qualidade de vida de indivíduos em tratamento da dependência do crack. A amostra foi constituída de indivíduos do sexo masculino em tratamento no Instituto de Pesquisa e Tratamento do Alcoolismo (IPTA) em Campo Largo e no Centro de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas (CAPS AD) em Araucária. Os participantes responderam a um questionário com dados pessoais e sócio-demográficos. Na sequência, foram entrevistados e responderam ao questionário Oral Health Impact Profile (OHIP-14) para avaliar o impacto da periodontite na qualidade de vida. Posteriormente, foi realizado o exame periodontal em 10 dentes para avaliar profundidade de sondagem (PS), nível de inserção clínica (NIC) e sangramento à sondagem (SS). Considerou-se para o diagnóstico de periodontite a presença de pelo menos um sítio com PS>4mm e NIC>4mm. Participaram do estudo 157 indivíduos com idade média de 33 anos (18-62 anos). Em relação ao estado civil e escolaridade, a maioria da amostra era de solteiros (n=88, 56%), e 37,6% (n=59) não concluiu o ensino fundamental. Até o momento do internamento, 60% (n=94) dos indivíduos estavam trabalhando e 9% (n=14) estudando. A quantidade média de crack consumido em uma semana foi de 23 gramas, sendo o tempo médio de consumo de 8,5 anos; para o tabaco foi de 131 cigarros/semana por 16,5 anos; e para a maconha foi de 50 gramas/semana durante 14 anos. A frequência de escovação diária relatada foi de 3 vezes ao dia (n=76, 48,4%). A média e o desvio padrão da PS foi de 3,61 ± 1,398 e do NIC 3,81 ± 1,657. De um total de 1439 dentes avaliados para a variável SS, 62,4% (n=980) tiveram sangramento. Houve diferença estatística significativa para os domínios 4 (incapacidade física, p=0,036), 5 (incapacidade psicológica, p=0,0001) e 7 (desvantagem social, p=0,049) do OHIP-14, na presença/ausência da periodontite (Teste do Qui-Quadrado). O presente estudo demonstrou que a periodontite causou impacto na qualidade de vida dos usuários de crack em relação à incapacidade física e psicológica, e desvantagem social.