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Título
QUALIDADE DE VIDA RELACIONADA À SAÚDE BUCAL EM ESCOLARES
Aluno: Daiane Aparecida da Silva - IC-Voluntária - Curso de Odontologia (MT) - Orientador: Fabian Calixto Fraiz - Departamento de Estomatologia - Área de conhecimento: 40204006 - Palavras-chave: qualidade de vida; saúde bucal; crianças - Coorientador: Fernanda de Morais Ferreira - Colaborador: Bianca Lopes Cavalcante de Leão, Sara Regina Barancelli Todero.
Durante a infância os padrões de saúde bucal influenciam na alimentação, sorriso, fala e socialização da criança, com consequências sobre sua autoestima e bem-estar físico, emocional e social. Considera-se de extrema importância pesquisas que apontem o impacto da saúde bucal na qualidade de vida das crianças e suas implicações, a fim de fornecer informações que possam colaborar com o estabelecimento de estratégias preventivas e de intervenção precoce, tanto a nível individual quanto coletivo. O objetivo desta pesquisa foi avaliar a qualidade de vida relacionada à saúde bucal em escolares. Os dados foram obtidos a partir de um estudo observacional transversal representativo de escolares da rede municipal de Campo Magro-PR, envolvendo 622 crianças entre 8 e 10 anos. A qualidade de vida associada à saúde bucal foi avaliada através do instrumento Child Perceptions Questionnaire (CPQ 8-10), validado e adaptado culturalmente para a língua portuguesa do Brasil. Trata-se um instrumento específico para crianças de 8 a 10 anos e avalia a percepção do impacto da condição bucal no bem estar físico e psicossocial do estudante. O questionário é de auto preenchimento, contendo 29 questões de múltipla escolha que tem como período de referência as 4 semanas anteriores a avaliação. Os pais responderam a um questionário abordando características sócio-demográficas e de acesso ao serviço odontológico. O escore do CPQ 8-10 variou de 0 a 76, com media de 14 (DP = 13,1) e mediana 10. Os domínios com maiores escores médios foram "Sintomas Orais" e "Bem-estar Emocional". Observou-se que as meninas apresentaram escores médios no CPQ 8-10 maiores que os meninos (p = 0,02, teste de Mann-Whitney). O nível de educação formal dos pais influenciou a qualidade de vida relacionada à saúde bucal, sendo que as crianças que tinham pais com 8 ou menos anos de estudo apresentaram maiores escores de CPQ 8-10 (p < 0,001, teste de Mann-Whitney). Os filhos de pais que relataram que a criança já precisou de tratamento odontológico e eles não tiveram como pagar ou não conseguiram uma vaga no serviço público apresentaram valores médios de CPQ 8-10 maiores do que aqueles que não tiveram dificuldade de acesso aos serviços odontológicos (p < 0,001, teste de Mann-Whitney). Pode-se concluir que as crianças do sexo feminino, as que tinham pais com menor educação formal e aquelas que tinham dificuldade de acesso aos serviços odontológicos apresentaram maior relato de impacto na qualidade de vida relacionada à saúde bucal.