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Título
CONSCIÊNCIA DO RISCO DE CÂNCER BUCAL E A QUALIDADE DO AUTOEXAME BUCAL EM PACIENTES COM ANEMIA DE FANCONI
Aluno: Allana Pivovar - IC-Voluntária - Curso de Odontologia (MT) - Orientador: Cassius Carvalho Torres-Pereira - Departamento de Estomatologia - Área de conhecimento: 40208001 - Palavras-chave: autoexame bucal; anemia de fanconi; câncer bucal - Colaborador: Camila Pinheiro Furquim, Laura Cavalcanti Grein, Carmem Bonfim.
O câncer de boca geralmente ocorre em locais acessíveis à detecção precoce por inspeção visual. Estudos indicam que o exame profissional visual pode reduzir a mortalidade e morbidade causada do cancêr bucal, porém poucos estudos avaliaram a eficácia do autoexame bucal (AEB). Por sua vez, o AEB é descrito como uma técnica simples e barata que pode contribuir com a identificação de lesões suspeitas. A Anemia de Fanconi (AF) é uma síndrome genética de herança recessiva, caracterizada pela falência medular progressiva, malformações congênitas e alto risco para desenvolvimento de tumores sólidos. Esse estudo visa determinar se os pacientes com Anemia de Fanconi do Hospital de Clínicas da UFPR são conscientes do risco que possuem de desenvolvimento de câncer bucal e avaliar a qualidade da execução do AEB. Fazem parte desse estudo pacientes com AF a partir de 18 anos. Os participantes preencheram um questionário, que continha dados socioeconômicos e perguntas que avaliavam o conhecimento de câncer bucal. Em seguida, os pacientes foram convidados a realizarem o autoexame, que foi avaliado por um pesquisador segundo os critérios de afastamento adequado dos tecidos bucais, nível de atenção, nível de dificuldade e tempo gasto em segundos. Imediatamente após o AEB os pacientes foram questionados sobre a presença e localização de alterações bucais e solicitados a categorizar o nível de dificuldade que encontraram para executar o procedimento. Todos os pacientes foram avaliados clinicamente por um profissional. Finalmente, os participantes receberam orientação por meio de panfleto e banner educativo sobre a maneira correta de realizar um AEB. Um total de 44 participantes fez parte da amostra. Quando foram questionados se acreditavam possuir um risco maior do que outros de desenvolver câncer bucal 61% (n=27) dos pacientes responderam que "sim", os restantes 38% (n=17) responderam "não" ou "não sei". A maioria dos pacientes respondeu que não sabia "nada" (29%) ou "pouco" (34%) sobre câncer bucal. A qualidade final da execução do AEB mostrou ser suficiente em 25% (n=11) e insuficiente em 75% (n=33) dos casos. A maior parte (73%, n=32) dos pacientes relatou que o AEB foi "fácil" ou "muito fácil" de se realizar. Apesar dos pacientes relatarem que tiveram pouca dificuldade durante o AEB, à maioria não realizou o exame adequadamente. Estudos futuros devem investigar se a instrução prévia à realização da técnica mantém ou melhora a qualidade do AEB nessa população, que apresenta um contexto específico de alto risco para o desenvolvimento de malignidades ao longo do tempo.