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Título
A DIMENSÃO ESTRUTURAL DOS CASOS DE AIDS NOTIFICADOS NO SEPIH/HC

Aluno: José Mario Rabone Junior - PIBIC/CNPq - Curso de Enfermagem (MT) - Orientador: Liliana Müller Larocca - Departamento de Enfermagem - Área de conhecimento: 40406008 - Palavras-chave: enfermagem saúde coletiva; epidemiologia social; aids/ sida - Colaborador: Adeli Medeiros de Paula, Dora Yoko Nozaki Goto, Viviane Serra Melanda.

Avanços nas políticas públicas brasileiras de atendimento aos casos de HIV-AIDS são reflexos de estudos epidemiológicos realizados desde os anos 1990, mas é necessária constante re-análise no sentido de reconhecer a evolução deste agravo em populações e territórios. Segundo Bastos (2006) nos países chamados desenvolvidos a infecção por HIV-AIDS tende a ser evento sentinela. Sabe-se que contraditoriamente são os em desenvolvimentoque vêm formulando arcabouços teóricos cada vez mais consistentes em Saúde Coletiva, a exemplo da Epidemiologia Crítica, proposta por Breilh (2006); e da TIPESC®, proposta por Egry (1994). Este estudo se propõe a, inspirado no Materialismo Histórico Dialético, reconhecer a determinação estrutural da realidade objetiva dos indivíduos e grupos acometidos por AIDS, interpretando os dados do SINAN-NET do serviço de epidemiologia do HC/UFPR, hospital de referência para atendimento de gestantes HIV no município de Curitiba e recortando as notificações entre 2007 e 2013, excluindo-se as crianças. A pesquisa foi aprovada no comitê de ética do SCS/UFPR. Obteve-se que dos 866 casos da amostra a maior parte está concentrada após o ano de 2007, ano de implementação de mudanças no sistema de informação. Vem se observando ainda durante a análise as relações de produção como o processo mais destrutivo e, contraditoriamente, o estrato da sociedade de classes ao qual o indivíduo pertence como o mais protetor. Isto é, mesmo com o avanço da atenção aos indivíduos com HIV-AIDS e de promoção de saúde no Brasil os dados gerados refletem uma mudança nas populações mais acometidas; indicando que paradigmas no atendimento individual e na promoção da saúde foram dicotômicos. Ainda que se venha buscando uma atenção mais universal e focada na prevenção de agravos e promoção da saúde em sua implementação esta pode tomar um caráter focalista, excluindo indivíduos e populações e tornando-se higienista. Nesse sentido se observou que o tratamento dos indivíduos é tão importante quanto a problematização das condições coletivas, gerando melhores dados que subsidiem ações efetivamente universais e igualitárias, focadas na promoção de saúde à população. Por fim entende-se que políticas em saúde não estão descoladas das sociais, sendo que o Estado que se furtar de garantir os direitos constitucionais não poderá esperar do setor saúde a resolução destes problemas. Não obstante cabe ao enfermeiro o atendimento buscando os princípios do SUS e sendo o elo entre a população e o estado neoliberal na busca de melhores condições objetivas de saúde.