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Título
ANÁLISE DA PERSISTÊNCIA DA COLONIZAÇÃO POR BACTÉRIAS MULTIRRESISTENTES EM PACIENTES DE UM HOSPITAL DE ENSINO
Aluno: Gabriela de Souza dos Santos - PIBIC/CNPq - Curso de Enfermagem (MT) - Orientador: Elaine Drehmer de Almeida Cruz - Departamento de Enfermagem - Área de conhecimento: 40405001 - Palavras-chave: resistência microbiana à medicamentos; bactérias; vigilância epidemiológica.
A disseminação de microrganismos multirresistentes (MR) representa um problema emergente e de difícil controle no cenário mundial. A literatura é inconclusiva no que tange a persistência da colonização por estes microrganismos, levantando dúvidas a respeito da ocorrência da real descolonização de indivíduos portadores de MR. Este estudo objetivou analisar a persistência da colonização por bactérias multirresistentes em pacientes de um hospital de ensino da capital paranaense. Trata-se de uma pesquisa documental, retrospectiva e de abordagem quantitativa, que utilizou como fonte de dados a planilha de monitoramento de germes multirresistentes do Serviço de Controle de Infecções Hospitalares (SCIH) e dados advindos do sistema de informações do hospital sede do estudo. Foram critérios de inclusão: ser paciente com, no mínimo, uma cultura positiva para MR e estar registrado na planilha de monitoramento do SCIH do ano de 2011; e critérios de exclusão: ser portador do mesmo MR em anos anteriores e não possuir três culturas negativas para MR após seis meses da ultima cultura positiva. Foram considerados descolonizados pacientes com três culturas negativas para o MR após seis meses da ultima positiva. Os dados foram analisados com estatística descritiva, por meio de frequências absolutas e relativas, médias, desvio padrão, valores mínimos e máximos. Identificou-se 802 histórias de colonização por MR iniciadas no ano de 2011 e estas foram analisadas quanto a sua persistência até janeiro de 2014. Verificou-se que em apenas 26 (3,24%) dos casos houve descolonização dos indivíduos, em 8 (1,03%) a colonização persistiu, 520 (67,01%) não possuíam culturas suficientes para análise e em 248 (31,96%) a ocorrência do óbito impossibilitou a investigação. A média de idade entre os indivíduos descolonizados =1 ano (n=18 ) foi 23,6±20,3 anos. O tempo entre a colonização e a liberação das precauções foi em média de 491,69±215,82 dias, variando de 215 a 1013 dias. Um caso de destaque refere-se a um portador de VRE: após 359 dias sem culturas positivas, o paciente foi considerado descolonizado de acordo com os critérios adotados, porém veio a positivar menos de cinco dias depois, permanecendo, seguramente, colonizado por mais de um ano. Os critérios adotados para análise da descolonização de pacientes previamente colonizados precisam ser reavaliados, principalmente para portadores de VRE. O estudo possui limitações devido às falhas na solicitação de culturas de vigilância, sugerindo que esta rotina deva ser revisada junto aos profissionais da instituição.