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Título
O PERFIL DOS DISTÚRBIOS OSTEOMUSCULARES RELACIONADOS AO TRABALHO (DORT) ASSOCIADO À DOR CRÔNICA EM TRABALHADORES DA REGIÃO SUL DO BRASIL
Aluno: Carolina De Marchi Capeletto - PIBIC/Fundação Araucária - Curso de Medicina (MT) - Orientador: Leila Maria Mansano Sarquis - Departamento de Enfermagem - Área de conhecimento: 40100006 - Palavras-chave: dor crônica; saúde do trabalhador; absenteísmo.
A dor é um sintoma de difícil manejo pela sua complexidade, pois afeta a capacidade física e aspectos cognitivos. Quando relacionada ao trabalho, pode ser ocasionada pelo ambiente e dinâmica de trabalho inadequados. O Ministério da Saúde adota denominações específicas para doenças de estruturas do sistema musculoesquelético: Lesões por Esforço Repetitivo e Doenças Osteomusculares Relacionadas ao Trabalho (LER/Dort). No Brasil, a dor é a razão pela qual em torno de 80% da população procura atendimento. A dor crônica, objetivo deste estudo, acomete 40% da população, sendo causa de faltas ao trabalho, baixa da produtividade, licenças médicas, aposentadorias por doença e indenizações trabalhistas. Dada sua alta prevalência, torna-se relevante contabilizar os casos de LER/Dort através do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN). Estudo epidemiológico descritivo transversal e retrospectivo cujo objetivo foi: descrever o perfil de LER/Dort associados à dor crônica em trabalhadores do sul do Brasil, entre 2006 a 2012, com registro no SINAN. Foram notificados 2297 casos no sul do Brasil, com predominância no sexo feminino - 1553 (67,6%), na faixa etária,entre 35-49 anos - 1084 (45,6%). Quanto à escolaridade, 450 (19,5%) ocorreram em trabalhadores com ensino fundamental incompleto. A etnia branca foi a mais afetada, com 1509 (65,6%). De acordo com a situação no mercado de trabalho, a maioria dos casos, 1534 (66,7%), foi de empregados registrados, seguido de 233 (10,1%) de trabalhadores autônomos e 141 (6,1%) de desempregados. Quanto à conduta de afastamento, 1446 (62,9%) foram afastados temporariamente. Em relação ao diagnóstico específico, prevaleceram casos de lesão no ombro - 50 (17,4%); seguido de sinovites e tenossinovites, com 34 (11,8%), e dorsalgia 29 (10,1%). Em relação aos grandes grupos ocupacionais, 900 (39,3%) referiram-se aos trabalhadores dos grupos 7 e 8 (bens e serviços industriais). Em seguida, com 675 (29,5%), apareceram os trabalhadores do grupo 5 (serviços, vendedores do comércio, lojas e mercados), e 242 (10,5%) referiram-se ao grupo 4 (administrativos).Tais resultados permitem inferir que a saúde do trabalhador está comprometida, já que essas doenças são passíveis de prevenção e a subnotificação pode ser registrada informalmente em instituições de saúde, pois muitas empresas ainda não buscam o nexo causal, bem como a vigilância determinada por Lei. Outros resultados serão discutidos no trabalho conclusivo, e medidas devem ser implantadas para a redução deste distúrbio.