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Título
ENSINO E PRÁTICA DAS ARTES MARCIAIS NO BRASIL: PROCESSOS E SIGNIFICADOS SOCIOCULTURAIS

Aluno: Marcelo Alberto de Oliveira - IC-Voluntária - Curso de Educação Física (Licenciatura) (MT) - Orientador: Sidmar dos Santos Meurer - Departamento de Educação Física - Área de conhecimento: 40900002 - Palavras-chave: memórias; karatê; introdução.

O trabalho visa compreender como ocorreu, em Curitiba/Paraná, o processo de introdução de uma das manifestações da cultura corporal japonesa, o Karatê ou Karatê-dô. No contexto curitibano, é evidente a tensão entre as diferentes memórias a respeito da introdução e difusão da prática corporal em questão. Buscamos, através do presente estudo, reconhecer no encontro cultural proveniente da difusão do Karatê em Curitiba, os sentidos, os processos, as apropriações, as consequências e os desdobramentos na introdução desta modalidade nesta cidade do Estado do Paraná. Para tanto, utilizamos concomitantemente a metodologia de história oral, subsidiada, quando necessária por procedimento de pesquisa documental. A história oral é justificada como ferramenta por ser qualitativa que dá forma a um estudo ou pesquisa. Segundo Amado e Ferreira (2006), a história oral caracteriza-se pela produção de documentos, as entrevistas, as quais "são resultados do diálogo entre entrevistador e entrevistado, entre sujeito e objeto de estudo; isso leva o historiador a afastar-se de interpretações fundadas numa rígida separação entre sujeito/objeto de pesquisa, e a buscar caminhos alternativos de interpretação". Já como fonte documental caracteriza-se como: reportagens de jornais, revistas, imagens da época e certificados que, devido a esta pesquisa, abordaram-se relatos da década de 60 sobre este processo. Como resultado da investigação das fontes, foram identificadas memórias que vinculam a introdução desse sistema marcial na capital paranaense a precursores como Aldo Lubes e Júlio Arai. A difusão local da modalidade foi intensificada a partir da fundação da Academia Kodokan de Curitiba. Concluímos que a década de 60 foi um período em que novos agentes e estruturas promoveram a propagação do Karatê Shotokan em Curitiba. Contudo, processos têm reflexos até hoje advindos daquela época como, por exemplo, de "civilização" enlaçada entre a sociedade e o karatê. Assim, costumes, hábitos, métodos de ensino são resgatados de um determinado período histórico e acabam configurando e dando suporte como, por exemplo, no gerenciamento de um treino de karatê. Segundo Elias (1994), a "civilização" descreve um processo ou, pelo menos, seu resultado. Diz respeito a algo que está em movimento constante, movendo-se incessantemente "para frente".