0309

Título
CONTROLE SOCIAL E SEGREGAÇÃO SÓCIO ESPACIAL: UMA ANÁLISE DAS DESAPROPRIAÇÕES DECORRENTES DOS MEGAEVENTOS: ESTÁDIO DO ATLÉTICO(CURITIBA) E NOVA COSTEIRA (SÃO JOSÉ DOS PINHAIS)

Aluno: Ana Cláudia Milani e Silva - PIBIC/Fundação Araucária - Curso de Direito (M) - Orientador: Leandro Franklin Gorsdorf - Departamento de Direito Civil e Processual Civil - Área de conhecimento: 60100001 - Palavras-chave: segragação urbana; controle social; megaeventos.

O espaço urbano é hoje um dos domínios de intervenção da biopolítica, nele incidindo mecanismos disciplinadores e reguladores. Ali se aplicam mecanismos de normalização, impondo padrões homogêneos de cidade, de modo que aquilo que não se enquadra nesses padrões é estigmatizado e deve ser eliminado - ou afastado. Assim, a cidade é separada por cercas visíveis e invisíveis, separação que é essencial para a organização do espaço urbano contemporâneo e que vem à tona com a mercantilização desse espaço. É o que se denomina por segregação urbana. Tanto na utilização dos mecanismos de segurança quanto - e em especial - no planejamento urbano, o controle do meio serve de justificativa para o controle de uma população, para o controle social. Ao impor um padrão de normalização desse espaço, o Estado expulsa aquilo que não se encaixa nos padrões para áreas distantes dos centros de poder, ficando separadas assim as "áreas ricas" das "áreas pobres", num processo que se desenvolve sob interferência e vigilância do Estado. Tal processo tem sido intensificado em virtude dos preparativos para os Megaeventos no Brasil, e especificamente em Curitiba. A política de remoções empreendida em nome dos eventos esportivos atende a uma de lógica de "gentrificação" ou aburguesamento do espaço urbano, reorganizando os locais das populações de baixa renda conforme interesses imobiliários e do grande capital privado. Assim, esse processo de "desterritorialização" se torna mais intenso em locais onde há expansão do capital imobiliário, com expulsão dos pobres de áreas valorizadas ou que receberão investimentos públicos. Toda essa política tomada como concretização dos Megaeventos serve como justificativa para a reorganização do espaço urbano, normalizando-o, ao excluir as populações mais pobres dos locais onde vivem e realocá-las de modo bastante precário em áreas mais distantes e carentes de infraestrutura.