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Título
A COBERTURA JORNALÍSTICA DO CIBERATIVISMO BRASILEIRO

Aluno: Giulia Sbaraini Fontes - PIBIC/CNPq - Curso de Comunicação Social - Jornalismo (MN) - Orientador: Kelly Cristina de Souza Prudencio - Departamento de Comunicação Social - Área de conhecimento: 60900008 - Palavras-chave: mobilização política; enquadramento; campanha.

O trabalho realizado durante a Iniciação Científica teve por objetivo analisar a repercussão das ações de ciberativismo na imprensa brasileira. A partir dos conceitos de confronto político, repertório e enquadramento (TARROW, 2009) foi realizada a coleta de textos jornalísticos para posterior análise. Para tanto, foram selecionados quatro veículos online: o portal G1, da Globo, os sites dos jornais Folha de São Paulo e O Estado de São Paulo e, por fim, o portal Carta Maior, que apresenta uma posição ideológica claramente oposta aos demais veículos. Foram coletadas pouco mais de mil matérias publicadas nesses portais, todas dos anos de 2013 e 2014. Os textos fazem referência a nove mobilizações, selecionadas diante do debate que geraram e de sua atuação na Internet. Outro fator importante para a seleção dos movimentos analisados foi a participação destes nas manifestações de junho de 2013, que causaram grande repercussão midiática e foram organizadas a partir das redes sociais. Os movimentos selecionados foram: Marcha das Vadias, Marcha da Maconha, Marcha pelo Parto Humanizado, #ForaFeliciano, #PEC37, #vaiterMarcoCivil, #nãovaiterCopa, Movimento Passe Livre (MPL) e programa Mais Médicos. Após a coleta, partiu-se, então, para a análise dos enquadramentos realizados nesses textos. Tal análise parte do princípio de que todo material jornalístico enquadra a realidade a partir de critérios profissionais e de cultura política. Essa visão é compartilhada por Gaye Tuchman (1983), que desenvolve o conceito de gatekeeper, que coloca o jornalismo no patamar de cadeia de produção, em que fatores subjetivos interferem na confecção dos textos e na própria definição do que é ou não notícia. Outra teoria levada em consideração nesse processo foi a da Agenda Setting, cujo principal autor é Maxwell McCombs (2009). A ideia é de que os assuntos problematizados pela mídia pautam as discussões das pessoas em seu cotidiano. Observamos então como as mobilizações foram tratadas pela imprensa, considerando a orientação ideológica de cada site, e também se os movimentos que se iniciaram na Internet geraram repercussão na mídia. Para a análise de enquadramento, foram lidos trinta textos de cada portal e compilados os adjetivos e palavras-chave dos materiais. Foi possível verificar que a cobertura jornalística assimilou o confronto político presente nas mobilizações, cujo repertório entrou no enquadramento midiático, ainda que não da maneira esperada pelos ativistas.