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Título
APLICAÇÃO DE TÉCNICAS DE ANÁLISE MINERALÓGICAS EM CÁLCULOS RENAIS
Aluno: Nikolas Kim - PIBIC/CNPq - Curso de Medicina (MT) - Orientador: Mauricio de Carvalho - Departamento de Clínica Médica - Área de conhecimento: 40101134 - Palavras-chave: nefrolitíase; difração de raio x; cálculo renal - Colaborador: Hernane Ajuz Holzmann.
O conhecimento da composição dos cálculos urinários é importante para entender a fisiopatologia, a modalidade de tratamento e a prevenção das recidivas. A técnica padrão ouro para verificar essa composição é a análise do cálculo por Difratometria de Raios-X (DRX). Assim, em parceria com o LAMIR (Laboratório de Mineralogia da UFPR), estudamos os cálculos renais utilizando técnicas de análise mineralógica para melhor entender sua estrutura, composição e formação, além de auxiliar no diagnóstico e tratamento dos pacientes participantes da pesquisa. Foram selecionados pacientes em acompanhamento nos ambulatórios de urologia e nefrolitíase do Hospital de Clínicas da UFPR. Os critérios de seleção utilizados foram idade superior a 18 anos, diagnóstico de litíase renal confirmado por exame de imagem e possibilidade de fornecer amostra do cálculo para análise. As amostras coletadas foram analisadas no LAMIR-UFPR através da técnica de DRX. Os dados bioquímicos urinários foram coletados através da análise de exames de urina 24 horas solicitados nos ambulatórios. Foram analisadas 94 amostras, sendo 37 (38%) compostas por apenas um elemento (cálculos puros) e 59 (62%) compostas por 2 ou mais elementos (cálculos mistos). Oxalato de cálcio foi o principal componente tanto dos cálculos puros (65%) quanto dos cálculos mistos (61%). Até o momento foram coletados 26 exames de urina 24 horas, a análise bioquímica mostrou uma quantidade aumentada de cálcio urinário em pacientes portadores de cálculos com oxalato de cálcio como componente principal (148,5±69,8 vs 133,6±40,5, p=0,538). A técnica de DRX mostrou-se factível e possibilitou uma análise quantitativa dos componentes cristalinos dos cálculos urinários. A possibilidade de correlacionar alterações nos exames dos pacientes com a composição dos cálculos pode ajudar no melhor entendimento da formação dos cálculos renais e auxiliar na abordagem terapêutica dos pacientes, entretanto ainda é necessária uma maior amostra para melhorar a significância estatística do trabalho e retirar outras conclusões. A aplicação de outras técnicas disponíveis na área da geologia (microtomografia, microscopia eletrônica de varredura, datação com radioisótopos) também poderá contribuir para melhor compreender a estrutura intrínseca do cálculo e sua formação.