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Título
ANÁLISE DE ACHADOS HISTOPATOLÓGICOS E SUAS CORRELAÇÕES CLÍNICAS RELACIONADAS À NEFRECTOMIAS POR UROLITÍASE
Aluno: Karoline Furusho Pacheco - IC-Voluntária - Curso de Medicina (MT) - Orientador: Mauricio de Carvalho - Departamento de Clínica Médica - Área de conhecimento: 40101134 - Palavras-chave: urolitíase; nefrectomia; doença renal crônica - Coorientador: Maria Fernanda Soares - Colaborador: Rafael Drabik Guimaraes, Rubens Copia Sperandio.
A urolitíase é uma doença crônica sintomática ou assintomática prevalente na população geral. Hospitalização e intervenções médicas ocorrem em 30% destes pacientes. O tratamento é pautado na identificação e correção do fator desencadeante do distúrbio metabólico, porém, são comuns complicações como hidronefrose e pielonefrite, que podem levar a lesões renais irreversíveis e consequente indicação de nefrectomia. Produtos de nefrectomia são usualmente submetidos ao exame anatomopatológico, mas estudos que estabelecem correlações entre os achados anatomopatológicos, quadro clínico e alterações laboratoriais são escassos. Este estudo procura descrever e discutir estas relações entre os achados clínicos e anatomopatológicos de nefrectomias por urolitíase, avaliando os graus das alterações inflamatórias e esclerotróficas. O levantamento de dados foi realizado retrospectivamente, nos livros de registros de biópsias do Serviço de Anatomia Patológica do Hospital de Clínicas-UFPR, buscando as nefrectomias do período de 01/01/2007 até 22/05/2012. Foram incluídos os casos de nefrectomia por urolitíase e suas complicações. A partir desta seleção, os prontuários médicos foram analisados, com coleta dos dados demográficos, clínicos e laboratoriais. No estudo anatomopatológico, foram identificados e quantificados: fibrose, dilatação tubular, inflamação crônica, arteriosclerose, pielonefrite xantogranulomatosa e pionefrose. Resultando em análise de 98 pacientes, dos quais 88% eram mulheres. O primeiro episódio clínico de litíase ocorreu aos 37±13,6 anos. O sintoma mais relatado foi a cólica renal. O tempo de latência entre o diagnóstico e a nefrectomia foi de 10,2 anos. Dos fatores de risco, a obesidade teve maior prevalência. História familiar de urolitíase foi identificada em 44%. A urocultura foi positiva para Proteus sp. em 8%. A taxa de depuração de creatinina foi de 81,7±32,4 ml/min. Todos foram diagnosticados com hidronefrose e pielonefrite crônica na análise anatomopatológica. Houve correlação inversa entre dilatação tubular e a taxa de filtração glomerular, estimada pela taxa de depuração de creatinina (r= -0,27, p<0,009). Complicações de urolitíase foram mais prevalentes em mulheres em idade reprodutiva, exibindo latência de uma década entre o início dos sintomas e o estabelecimento de lesões irreversíveis, com nefrectomia. O maior grau de dilatação tubular relacionou-se ao declínio da função renal. Diagnóstico e intervenções preventivas e curativas devem idealmente ocorrer dentro dessa janela de 10 anos, impedindo maior morbidade e complicações.