0259
Título
GANHO DE RESISTÊNCIA DE PAREDE ABDOMINAL COM USO DE TELAS DE POLIPROPILENO E POLIGLECAPRONE
Aluno: Camila Gomes de Moraes - PIBIC/CNPq - Curso de Medicina (MT) - Orientador: Maria de Lourdes Pessole-Biondo Simões - Departamento de Cirurgia - Área de conhecimento: 40102009 - Palavras-chave: telas cirúrgicas; colágeno; cicatrização - Colaborador: Anna Flávia Zonatto Tocchio, Renata Augusta de Miranda.
As recidivas após o tratamento cirúrgico de hérnias incisionais constituem um desafio para a cirurgia. É possível encontrar taxas de recidiva que alcançam 50% dos operados quando se utilizam as técnicas de síntese fascial. O advento das técnicas sem tensão com a colocação de telas reduziu as taxas de recidiva, mas trouxe outras repercussões como aderências, fístulas e aumento da taxa de infecção. O objetivo do trabalho foi comparar a fibroplasia e a resistência da parede abdominal quando se utilizam telas de polipropileno e de polipropileno associado a poliglecaprone, em ratos. Após a aprovação do Comitê de Ética para o Uso de Animais da UFPR, utilizaram-se 77 Rattus norvegicus albinus, Rodentia mammalia, da linhagem Wistar, machos, com 140 dias de idade e peso 422,54 ± 64,19 g, alocados em três grupos: Grupo Controle (n=7), animais não operados que serviram de controle de resistência; Grupo E (n=35), animais que tiveram os defeitos tratados com tela de polipropileno e Grupo U (n=35) tratados com tela de polipropileno e poliglecaprone. Operados sob anestesia geral, todos os animais dos grupos E e U, tiveram uma falha músculo-aponeurótica padrão confeccionada, com peritônio íntegro, e a correção com a tela do grupo a que pertencesse. Realizou-se a aferição com 4, 7, 14, 28 e 56 dias de pós-operatório. Após a eutanásia retirou-se a parede abdominal ventral, dividiu-se em dois fragmentos, um para a tensiometria e outro para a análise da fibroplasia. Os cortes histológicos foram tratados pelo Picrosirius Red e avaliados ao microscópio sob luz polarizada, identificando-se as frações de colágeno I e III.O ganho de resistência foi gradual e significante com o decorrer do tempo em ambos os grupos, sem diferenças significantes entre eles. Entretanto não atingiu a resistência da parede normal até o 56.º dia. A fibroplasia mostrou ganho de colágeno tanto do tipo I como do III em ambos os grupos com o avançar do tempo (p<0,001), tendo estabilizaado o ganho de colágeno III a partir do 14.º dia enquanto o de colágeno I continuou a mostrar curva ascendente. No início tinha disposição irregular e aos poucos ficou ordenado com septos mais espessos. A resistência oferecida pela tela de polipropileno tem ganho ascendente e regular com o evoluir do processo, enquanto a oferecida pela de polipropileno/poliglecaprone não é uniforme; a resistência final das duas telas é semelhante; e a densidade de colágeno aumenta com o tempo e é semelhante entre as duas telas.